“Se chegarmos a um ataque direto contra a Federação Russa, e estou me referindo a Kaliningrado, mas isso também pode acontecer em qualquer outro território, é claro que a questão do uso, por parte da Rússia, de todo o armamento à sua disposição estará inevitável e imediatamente na pauta. Isso é inevitável”, disse Vladimir Putin durante um evento do think tank Clube de Discussão Valdai.
O líder do Kremlin destacou que as declarações feitas nos últimos dois dias pelos diplomatas russos são absolutamente corretas, embora tenha esclarecido que ninguém mencionou “as armas nucleares”.
Putin se referia ao documento enviado pela embaixada russa em Bruxelas à OTAN, no qual afirmava que a Rússia “está pronta para utilizar todo o seu arsenal para defender seu território, caso os países da OTAN tentem isolar a região de Kaliningrado” do restante do país.
“Nós não estamos assustando ninguém (…), não se trata de intimidação, mas sim de uma resposta às tentativas de nos intimidar”, ressaltou o líder russo.
Entre essas tentativas, ele citou os preparativos europeus para uma guerra contra a Rússia no fim desta década, os constantes exercícios militares da OTAN no Báltico e as interceptações de navios russos, atos que classificou como uma escalada.
“Nós não ameaçamos ninguém, não temos intenção de atacar nem em 2029, nem em 2030, nem em 2050. Mas, se formos alvo de uma agressão, teremos que responder”, afirmou.
Putin afirmou que a Aliança Atlântica possui um potencial econômico e demográfico muito superior ao da Federação Russa, mas lembrou que Moscou dispõe de armamentos estratégicos, em uma clara referência às armas hipersônicas, “que ninguém possui”.
“Temos que tirar proveito da nossa vantagem competitiva. (…) Seremos nós a decidir qual será”, acrescentou.
A OTAN, por sua vez, acusou a Rússia de recorrer à “retórica militar” depois de Moscou manifestar a intenção de utilizar armas nucleares em caso de “bloqueio aéreo e marítimo de Kaliningrado”, algo que Moscou considera um casus belli, expressão em latim que significa “motivo de guerra”.
O alerta ocorre em um momento de aumento das tensões em torno de Kaliningrado, a antiga Königsberg da Prússia Oriental, anexada pela União Soviética em 1945. O território não possui fronteira terrestre direta com a Rússia, fazendo fronteira com a Polônia, a Lituânia e o mar Báltico.
Nos últimos meses, países da OTAN realizaram diversos exercícios militares nas proximidades das fronteiras de Kaliningrado, o que levou Moscou a enviar um documento condenando um “aumento sem precedentes da atividade militar da Aliança” ao longo das “fronteiras ocidentais”.
Também foram registrados incidentes envolvendo o lado russo a partir desse enclave, como a violação do espaço aéreo polonês por um helicóptero militar russo na semana passada.
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