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Sinto que foi o trabalho mais significativo que fiz até agora, diz Emmy Rossum sobre ‘Fúria’

VITOR MORENO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Emmy Rossum, 40, vem sentindo na pele a repercussão de seu trabalho na série “Fúria”, que estreou em julho no Disney+ e se tornou uma das mais aclamadas do ano. A crítica adorou, e o boca a boca fez a produção ter um crescimento de 90% em horas assistidas ao longo da temporada.

“Tem sido uma alegria”, conta a atriz, que já era conhecida por trabalhos como o filme “O Fantasma da Ópera” (2004) e a série “Shameless” (2011-2021), ao F5. “Moro em Nova York, então, quando caminho pela cidade, vejo que a história tocou muitas pessoas, dos mais diversos tipos, sinto que este foi realmente o trabalho mais significativo que fiz até agora.”

Na trama, ela dá vida à agente do FBI Alice Black, que tenta desvendar uma série de mortes misteriosas. Até aí, parece uma trama de investigação como tantas outras, mas o roteiro consegue amarrar temas pesados, como abuso sexual infantil e alcoolismo, sem soar superficial. E ainda apresenta personagens tão complexos que é difícil torcer contra.

Como acontece com quase todo sucesso, não existe uma explicação única para tudo o que se encaixou nesse projeto. A atriz avalia que é impossível antecipar o que vai acabar ressoando e que, por isso, nem sempre é preciso seguir tudo o que a indústria acha que as pessoas vão gostar. “Nunca sabemos ao certo o que o público quer”, afirma.

Sem puxar sardinha para o próprio trabalho como protagonista e produtora executiva, ela diz que os louros devem ir para todos os que trabalharam no projeto. “Acho que é mérito do elenco e da equipe, que contaram uma história singular, com uma visão própria, sem suavizar nenhuma aresta”, diz.

“E também das atuações intensas dos meus colegas, que foram tão corajosos e trouxeram tanta intensidade, vulnerabilidade, verdade e pesquisa para seus papéis ao contar essa história”, continua. “E, claro, é mérito do texto de Liz [Elizabeth Meriwether, criadora da série], porque tudo começa com o que está no papel e com a história. Depois, todos se unem para contá-la em conjunto.”

Com uma segunda temporada já confirmada, a série encerrou sua primeira leva de episódios abrindo novas possibilidades para Alice (alerta de spoiler: se não quiser como termina a primeira temporada, pare de ler este texto por aqui). A personagem conseguiu prender Catherine Grace (Lola Petticrew), a assassina que procurava, mas também não deixou seu algoz passar incólume.

Alice, que passou a série toda defendendo que só a Justiça pode decidir a punição de um crime, mata o homem responsável pelos traumas que ela e a criminosa carregam. Será que isso nos apresenta um novo lado da personagem? Ou é algo que revela quem ela foi esse tempo todo?

“Não sei se é uma coisa ou outra”, avalia Emmy, que aposta em uma ação realizada de forma impulsiva. “Não acho que a decisão de tirar a vida dele tenha sido premeditada. Acho que é um ato de fúria por tudo o que ela suportou ao longo da vida e, de certa forma, é uma atitude ao mesmo tempo muito infantil e muito adulta.”

Para a atriz, foi uma forma de eliminar a possibilidade de voltar a viver como vinha fazendo, aterrorizada por tudo o que viveu quando era mais jovem. “Embora Alice tenha à disposição todos os recursos –seu treinamento, suas armas–, ela ainda sente medo”, analisa. “Ainda tem medo de tomar banho, ainda tem medo de ficar no mesmo ambiente que certas pessoas que a fazem lembrar do passado e representam uma ameaça direta.”

Na derradeira cena da temporada, vemos Alice acessando a lista de todas as pessoas que viram o vídeo vazado quando ela era adolescente e, na sequência, em uma visita na prisão, Catherine pergunta: “Você gostou da sensação?”. A câmera foca o rosto da atriz mostra uma expressão que dá margem para muitas interpretações.

“É um pouco como o sorriso da Mona Lisa, não dá para saber ao certo”, desconversa Emmy sobre se aquela era uma dica do que vem pela frente para a personagem. “Para mim, tratava-se da sensação inebriante de guardar um segredo”, afirma.

“Alice é alguém que guarda muitos segredos, então, ter outra pessoa que talvez compartilhe esse segredo cria uma espécie de irmandade entre elas, algo que consolida esse vínculo”, explica. “Alice, que sempre teve uma relação tão conturbada com a própria irmã, encontra uma irmandade inexplicável com essa assassina.”

E já que a série lida com o tema, a atriz respondeu o que a deixa pessoalmente furiosa. “Meu Deus, tantas coisas”, diz, aos risos. “Tantas coisas sobre nosso sistema prisional, sobre nosso governo, sobre a insegurança alimentar, sobre as desigualdades salariais que afetam mulheres ou pessoas negras, sobre o tamanho do corpo, a altura, a idade… tantas coisas.”
“Acho que a série aborda algumas dessas questões e também mostra como o sistema que alega existir para nos servir e proteger às vezes realmente nos deixa na mão”, completa.

“FÚRIA”
Quando Seis episódios disponíveis na Disney+; novos episódios às segundas até 31/8
Classificação 16 anos
Elenco Emmy Rossum, Scoot McNairy, Quincy Tyler Bernstine, Steve Way, Jake Lacy, Rob Yang e Lola Petticrew, entre outros.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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