Blast

Travessia para Ceuta deixa 24 mortos e leva Espanha a enviar Exército

Pelo menos 24 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira ao tentar chegar a Ceuta a nado, partindo do Marrocos. Seis corpos foram retirados do mar na manhã desta sexta-feira, segundo fontes policiais espanholas citadas pela agência EFE.

A nova crise migratória levou milhares de pessoas às fronteiras terrestre e marítima entre o território marroquino e o enclave espanhol localizado no Norte da África. Estimativas preliminares da polícia apontam que cerca de 49 mil migrantes podem ter conseguido entrar em Ceuta desde quinta-feira, embora o governo espanhol ainda não tenha divulgado um balanço oficial.

O número representa mais da metade da população da cidade, onde vivem aproximadamente 83 mil pessoas. A movimentação se intensificou a partir do meio-dia de quinta-feira e superou amplamente a crise registrada em 2021, quando cerca de 10 mil migrantes entraram no território em 48 horas.

Após a chegada em massa, centenas ou até milhares de pessoas começaram a retornar ao Marrocos nesta sexta-feira. Imagens exibidas por emissoras espanholas mostraram grupos atravessando novamente a praia em direção ao território marroquino, enquanto um número menor ainda tentava alcançar Ceuta pelo mar.

Na cidade marroquina de Fnideq, próxima à fronteira, jornalistas relataram confrontos violentos entre forças de segurança e centenas de pessoas que tentavam passar para o lado espanhol.

Diante da crise, o governo da Espanha enviou militares para apoiar a Guarda Civil e reforçou o efetivo policial responsável pela segurança de Ceuta. O primeiro-ministro Pedro Sánchez e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, viajaram ao enclave nesta sexta-feira para acompanhar a operação.

Sánchez classificou a entrada em massa como uma violação da integridade territorial espanhola e afirmou que o governo utilizará todos os mecanismos disponíveis para proteger a cidade e seus moradores.

“O que aconteceu ontem foi um ataque, uma violação da integridade territorial da Espanha”, declarou.

O premiê também dirigiu uma mensagem à população de Ceuta e reconheceu o impacto emocional provocado pela crise.

“A Espanha está ao seu lado. Compreendemos plenamente o sofrimento emocional e o estado de ansiedade que vocês têm vivido nas últimas horas”, afirmou.

Segundo Sánchez, o episódio interrompe uma tendência de queda de 37% nos fluxos migratórios irregulares registrada neste ano.

As autoridades marroquinas reforçaram os controles para reduzir a pressão sobre a fronteira. Os governos dos dois países afirmaram que mantêm cooperação durante a crise e atribuíram a mobilização a redes de tráfico de pessoas.

O Ministério do Interior da Espanha declarou que grupos criminosos teriam usado uma recente decisão do Supremo Tribunal espanhol para estimular a tentativa de entrada, principalmente entre jovens sem documentos.

A sentença determinou que pessoas que chegam ao país pelo mar de forma irregular não podem ser devolvidas imediatamente a outro Estado. A entrega direta às autoridades estrangeiras continuaria válida apenas para quem atravessasse estruturas físicas de contenção, como cercas fronteiriças.

Partidos espanhóis de direita e extrema direita responsabilizaram o governo de Sánchez pela crise e relacionaram o episódio ao processo extraordinário de regularização de estrangeiros em andamento no país. O Executivo rejeitou a acusação e afirmou que a medida atende apenas pessoas que já residem e trabalham na Espanha.

Autoridades estimam que mais de 40 mil migrantes entraram irregularmente no enclave espanhol nos últimos dias. A crise deixou centenas de pessoas dormindo em espaços públicos e levou ao fechamento de pontos da fronteira com o Marrocos

Notícias ao Minuto | 03:00 – 31/07/2026

Fonte: Notícias ao Minuto

2 Visitas totales
2 Visitantes únicos

Publicar comentário