A advogada de João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi, contestou a prisão do cliente e afirmou que, na avaliação da defesa, a estudante de 22 anos tirou a própria vida. A declaração foi dada após João ser preso pela Polícia Civil do Ceará nesta terça-feira (22).
“Foi suicídio. O que é que ele tem a ver com isso?”, afirmou Lígia Peixe, advogada de João, em entrevista reproduzida pelo Diário do Nordeste. A defensora destacou ainda que o namorado não estava no edifício no momento da morte de Isabelle.
A afirmação da advogada, no entanto, representa a versão da defesa. A investigação ainda não concluiu oficialmente a dinâmica da morte. Segundo o Diário do Nordeste, João é investigado por possível induzimento ao suicídio e violência psicológica contra a mulher, além de suspeitas relacionadas à preservação de provas.
“A defesa nega qualquer incitação ao suicídio. Isso não existe”, declarou Lígia.
Defesa diz que João já havia prestado depoimento
De acordo com a advogada, João havia se apresentado voluntariamente à Polícia Civil na segunda-feira (21), quando prestou depoimento e entregou o próprio celular para perícia.
A defesa sustenta, por isso, que ele permaneceu à disposição dos investigadores. A Polícia Civil havia informado anteriormente que procurava João para dar continuidade às diligências do caso.
Após a prisão, Lígia afirmou que pretende analisar integralmente a decisão judicial e buscar a reversão da medida.
Segundo o Diário do Nordeste, João foi localizado em um condomínio na Avenida Santos Dumont, a aproximadamente 800 metros do edifício onde Isabelle morreu. A advogada afirmou que ele estava na casa da avó.
Câmeras mostram que namorado não estava no prédio
Um dos principais argumentos apresentados pela defesa é confirmado pelas imagens de segurança já analisadas: João não estava no condomínio quando Isabelle morreu.
Registros obtidos pelo Diário do Nordeste mostram que ele deixou o edifício por volta das 18h32. Isabelle aparece sozinha no elevador às 19h12, com o celular nas mãos, seguindo para o rooftop localizado no 23º andar.
O impacto da queda foi registrado por volta das 20h40. João retornou ao condomínio apenas às 22h48, cerca de duas horas depois. Também não foram encontrados sinais de luta corporal no apartamento.
Segundo a defesa, João havia saído para ir à missa e deixou Isabelle no imóvel porque ela estaria com torcicolo.
Polícia apura possível interferência na investigação
A prisão, entretanto, não está relacionada apenas à hipótese sobre a dinâmica da queda.
Segundo documentos aos quais o Diário do Nordeste teve acesso, a Polícia Civil investiga possível “supressão, ocultação ou destruição de provas”, incluindo circunstâncias envolvendo a desocupação do apartamento, a retirada de objetos e a dificuldade inicial para localizar pessoas relacionadas ao caso.
A reportagem do jornal cearense revelou ainda que uma diarista foi chamada para limpar o imóvel no dia seguinte à morte de Isabelle. Dois dias depois, o irmão de João teria ido ao edifício acompanhado de um corretor, quando uma placa de venda foi colocada no apartamento.
Lígia Peixe nega qualquer tentativa de obstrução da investigação e afirma que o imóvel pertence à mãe de João, é financiado e não está à venda.
Áudio de Isabelle faz parte da investigação
Outro elemento incorporado ao inquérito são mensagens enviadas por Isabelle a um parente aproximadamente uma hora antes da morte.
Segundo o Diário do Nordeste, a estudante pediu que um áudio fosse preservado como prova e fez acusações contra João. O material já está nas mãos da Polícia Civil e deverá ser analisado juntamente com os celulares e demais elementos recolhidos durante a investigação.
Os relatos de familiares também apontam que Isabelle vivia um relacionamento marcado por ciúmes e controle. A defesa contesta que essas informações permitam concluir que João tenha induzido a jovem a tirar a própria vida.
Causa da morte ainda não foi oficialmente definida
A Perícia Forense do Ceará constatou lesões compatíveis com o impacto do corpo contra o solo, enquanto exames toxicológicos deram resultado negativo para substâncias de interesse. Outros exames complementares ainda estão em andamento.






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