SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A vida que Fernanda Rodrigues, 46, construiu ao longo de quase duas décadas de casamento em nada lembra a realidade de Beatriz, protagonista de “Eu Não Era Louca, Era Casada”, com estreia programada para este segundo semestre no Globoplay.
Na novelinha vertical, a personagem verá o relacionamento ruir em meio a mentiras, manipulação psicológica e à descoberta de um plano arquitetado pelo marido (Ricardo Pereira) com a amante.
Para a atriz, a maior diferença entre as duas está justamente na forma como cada relação é construída. “A deles é uma relação tóxica. Eles não se impulsionam, não se incentivam. Ele a diminui e menospreza o que ela faz e o que ela diz”, afirma ao F5.
Fernanda diz que, ao comparar a ficção com a própria vida, enxerga um contraste absoluto. Casada há quase 20 anos com o diretor Raoni Carneiro, ela atribui a longevidade da relação ao companheirismo e ao incentivo mútuo.
“Meu casamento foi construído na escuta, na parceria e na realização dos sonhos um do outro”, afirma.
A atriz acredita que a história da personagem também ajudará a jogar luz sobre um problema que, durante muito tempo, passou despercebido dentro dos relacionamentos: o gaslighting, ou seja, a forma de manipulação que leva a vítima a duvidar da própria percepção da realidade.
“Tem quem esteja preparado para entender e até se libertar de relações assim, mas também há quem ainda não esteja. O mais importante é abrir essa conversa e mostrar que isso é muito mais comum do que imaginamos. Muitas mulheres sofrem com esse tipo de abuso.”
Apesar de nunca ter vivido uma relação semelhante à da personagem, Fernanda afirma que já enfrentou momentos em que precisou redobrar os cuidados com a saúde mental. A diferença é que, em seu caso, o desgaste veio do excesso de trabalho.
“Já passei por momentos de estresse extremo e cansaço a ponto de sentir minha saúde mental abalada. Rapidamente entendi que era o estresse e resolvi parar. Meu corpo nunca precisou me parar, eu parei antes.”
Ela conta que hoje mantém uma rotina voltada ao autocuidado para evitar chegar novamente a esse limite. Hot ioga, exercícios físicos, boa alimentação e sono adequado fazem parte dos hábitos que considera essenciais para preservar o equilíbrio emocional.
Conhecida por manter a vida pessoal longe de polêmicas desde que começou a carreira ainda criança, Fernanda diz nunca ter sentido pressão para sustentar uma imagem de “pessoa equilibrada”.
Segundo ela, a discrição é parte de sua personalidade. “Sempre preservei a intimidade e a minha família. Desde muito nova procurei equilibrar a fama com a vida privada.”
Depois de décadas na Globo, a atriz também afirma que descobriu uma nova fase profissional ao deixar a emissora. Embora faça elogios à estrutura da empresa, onde trabalhou desde a infância, diz que enxergar oportunidades fora daquele ambiente ampliou seus horizontes.
“Quando saí, percebi que existia uma vida profissional além daquela estrutura. O mais importante são os personagens, estejam eles na Globo ou em qualquer outro lugar”, diz. Sua última novela na emissora foi “Fuzuê” (2023).
Nos últimos anos, Fernanda também passou a dividir a rotina entre Brasil e Portugal, onde gravou uma série e desenvolve projetos ligados ao portal de maternidade Cheguei ao Mundo.
Além da atuação, ela se lançou no empreendedorismo ao se tornar franqueada de uma rede de estúdios no país europeu. “Cheguei à maturidade com vontade de sair da zona de conforto. Essa é uma Fernanda que talvez o público ainda não conheça”, comenta.
Se a carreira entrou em uma fase de descobertas, a maternidade continua sendo o maior aprendizado. Mãe de Luisa, de 16 anos, Fernanda afirma que criar uma adolescente em tempos de excesso de informação e redes sociais é um desafio diário.
“Ninguém ensina como ser mãe de adolescente. A gente conversa muito, troca muitas ideias. As mães precisam se unir e compartilhar experiências”, completa. Ela também é mãe de Bento, 10.
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