Um ex-agente do serviço secreto russo afirmou ter escapado de uma suposta operação ordenada pelo governo de Vladimir Putin usando um método improvável: escondido dentro da carcaça de uma vaca morta.
Segundo reportagem do jornal britânico Telegraph, Dmitry Senin, de 47 anos, era um alto funcionário do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) quando passou a ser acusado de traição pelo Kremlin após investigar um policial suspeito de corrupção em 2017.
O ex-espião afirmou que passou anos tentando limpar o próprio nome, mas decidiu fugir definitivamente após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
De acordo com Senin, a fuga foi planejada com ajuda de contrabandistas e contatos próximos. O plano envolveu atravessar clandestinamente a fronteira entre Rússia e Cazaquistão escondido dentro do corpo de uma vaca morta.
Antes da operação, ele disse ter vestido uma roupa de borracha, colocado uma máscara de gás e se enrolado em papel-alumínio para evitar ser detectado por câmeras térmicas.
Os contrabandistas teriam então se disfarçado de fazendeiros e transportado a carcaça em um trator até a região de fronteira.
“Eu só precisava que me jogassem para o outro lado da fronteira”, afirmou o ex-agente.
Segundo ele, a carcaça foi deixada em um local usado como “cemitério” de animais após a travessia.
Senin contou que permaneceu dentro da vaca por cerca de uma hora para evitar ser encontrado pelos guardas russos.
“Sou um soldado. O medo é uma emoção que você precisa controlar. Avaliei o risco e sabia que ninguém iria atirar na vaca”, disse.
O ex-espião revelou ainda que o plano levou cerca de dois meses para ser organizado e que escolheu o período mais frio do inverno justamente para evitar que os restos do animal estivessem infestados por larvas.
Depois de sair da carcaça, Senin teria caminhado até um ponto de encontro combinado previamente, onde recebeu ajuda de um ex-oficial da KGB para deixar a região e fugir para Montenegro.
“Não tive ajuda de serviços secretos estrangeiros, não existia uma rota pronta e minha mochila tinha apenas itens pessoais básicos”, afirmou.






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