SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O humorista e apresentador Fabio Porchat comentou com ironia a decisão da Comissão de Constituição e Justiça da Alerj que aprovou um projeto para declará-lo persona non grata no estado do Rio de Janeiro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o artista transformou a situação em piada e afirmou que recebeu a notícia quase como uma homenagem à própria carreira.
“Tenho mais de 20 anos de carreira e nunca imaginei chegar nesse lugar de ter deputado chateado comigo”, brincou. “Isso enche meu peito de orgulho”, completou.
Ao longo do vídeo, Porchat criticou o fato de parlamentares estarem debatendo sua atuação como humorista enquanto, segundo ele, temas mais urgentes deveriam ocupar o centro das discussões políticas no estado, como segurança pública, saneamento básico e o combate às milícias.
O apresentador também ironizou o andamento do projeto na Assembleia Legislativa e chegou a pedir apoio dos deputados para que a proposta avance até o plenário. “Eu preciso dos votos. Quero chegar onde nenhum comediante chegou”, disse, em tom sarcástico.
Ainda afirmou que não pretende mudar o estilo de humor político que marca parte de sua trajetória. “Vou continuar fazendo vídeo de comédia e continuar xingando político”, declarou.
A proposta foi apresentada pelo deputado estadual Rodrigo Amorim, do PL. Segundo o parlamentar, Porchat teria feito comentários considerados “jocosos e desrespeitosos” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Além de sua atuação artística, o homenageado é reconhecido por se posicionar publicamente em defesa de valores conservadores, manifestando opiniões alinhadas aos princípios de valorização da família e liberdade religiosa”, afirma o parlamentar na proposta.
Apoiador da família Bolsonaro, Amorim ficou conhecido em 2018 quando ajudou a quebrar uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada naquele ano.
No texto do projeto, o deputado afirma que as falas do humorista atingem a honra do ex-presidente e de seus apoiadores. A justificativa também cita a defesa da “liturgia do cargo” e dos “valores democráticos”.
Apesar da repercussão nas redes sociais, a medida tem efeito apenas simbólico. Na prática, mesmo que seja aprovada em plenário, a declaração de persona non grata não impede que Porchat circule ou permaneça no Rio de Janeiro.
O termo é tradicionalmente utilizado nas relações diplomáticas internacionais para indicar que um representante estrangeiro deixou de ser bem-vindo em determinado país. Em casos envolvendo Assembleias Legislativas ou Câmaras municipais, porém, a expressão costuma funcionar apenas como uma manifestação formal de repúdio político.
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