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O que Lula disse sobre acabar com as bets e o impacto no futebol?

(FOLHAPRESS) – O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira (23), em evento com membros do setor cultural, que acabará com as bets no Brasil e disse que os times de futebol terão que aprender a se administrarem sem os recursos das casas de aposta.

O petista intensificou a cruzada contra as empresas de apostas diante do primeiro turno da eleição. Ele afirmou que parte da juventude está presa aos algoritmos e ressaltou que o setor prejudica não só a renda das famílias brasileiras, mas também afeta os torcedores de futebol mais pobres.

“Nós vamos acabar com as bets, e os times que aprendam a virar times de empresários. Esta não é uma guerra, é uma decisão”, disse o presidente. Ele se referiu à lei da SAF (Sociedade Anônima de Futebol), que permite que clubes de futebol deixem o modelo associativo e passem para uma estrutura empresarial.

Bets foram regulamentadas no governo Lula

As apostas online foram autorizadas na gestão Michel Temer (2016-2018), mas foram regulamentadas no governo Lula, no fim de 2023, após passarem o mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022) sem regras. O mercado regulado, com permissão de atuação para 85 empresas mediante o pagamento de uma outorga de R$ 30 milhões, começou em 2025, após um período de transição.

Nos últimos dias, o mandatário colocou o combate às plataformas de apostas no centro da campanha à reeleição. Na última sexta-feira (18), em Guarulhos (Grande São Paulo), afirmou que “se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets neste país”, disse.

No último sábado (19), em Florianópolis, Lula acrescentou que vê as bets como um dos motivos para o endividamento da população e disse que o futebol não pode “querer sobreviver às custas do povo pobre, que já torce pro time, já vai ao estádio, ainda tem que gastar apostando para o time ter dinheiro. A verdade é que eu quero acabar com as bets”.

Lula também fala em regular plataformas digitais

Desta vez, ele também citou a regulação de plataformas sociais digitais.

“A minha preocupação é que hoje tem uma parte da juventude atrelada aos algoritmos, e se a gente não fizer essa luta [motivar a juventude], os algoritmos vão ganhar. Por isso, meus queridos, é que eu não tenho nenhum problema de dizer a vocês, eu terei o imenso prazer de acabar com as bets. Eu terei o imenso prazer de regular as plataformas.”

Governo avalia alternativas

Auxiliares do chefe do governo veem uma medida contra essas empresas como iminente, salvo uma mudança inesperada na disposição do presidente. Por outro lado, citam obstáculos para a proibição total das casas de apostas e dizem não ter certeza sobre a intensidade da decisão a ser tomada.

Sob reserva, pessoas próximas à discussão no Palácio do Planalto afirmam que há opções na mesa do governante. A mais branda envolve a restrição à publicidade do setor, enquanto a mais dura pode levar à proibição total das apostas de quota fixa.

Proibição pode abrir disputa judicial

Um dos pontos da análise é o impacto para as contas públicas e a insegurança jurídica que a decisão pode causar. As bets legalizadas pagaram taxa de R$ 30 milhões ao governo federal para funcionar por cinco anos, e a proibição agora abriria uma batalha judicial.

Haveria o risco, por exemplo, de o Executivo precisar indenizar as plataformas por elas não poderem exercer suas atividades durante todo o tempo contratado.

Também há preocupação da gestão petista em como garantir a total indisponibilidade dos serviços em território brasileiro, evitando brechas para que as companhias continuem operando na ilegalidade.

Além disso, essas empresas patrocinam uma série de influenciadores digitais, e há o temor de que eles se voltem contra Lula em plena campanha eleitoral caso as atividades sejam afetadas.

Endividamento entra no debate

As bets são apontadas por aliados de Lula como parte da explicação para os atuais níveis de endividamento da população.

Em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets, de acordo com estudo do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) com o Cicef (Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento).

Casas de apostas respondem por R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões arrecadados com patrocínio pelos 20 clubes da elite do Campeonato Brasileiro em 2025

Folhapress | 12:00 – 23/09/2026

Fonte: Notícias ao Minuto

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