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‘Precisamos deixar o futebol respirar’, diz novo chefe dos árbitros da CBF

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – Sandro Meira Ricci ainda nem fez por completo a mudança dos Estados Unidos para o Rio, mas já embarcou em duas semanas consecutivas de treinamentos com os árbitros da CBF. Uma na Espanha e outra na Granja Comary, em Teresópolis.

O ambiente do CT da seleção brasileira virou a página após o sonho frustrado do hexa. O foco agora é o retorno das competições nacionais e o início de uma nova gestão à frente da comissão de arbitragem.

A cadeira de presidente está com Ricci, que passa a dividir atribuições com a ainda recente diretoria de arbitragem, encabeçada por Netto Góes. A meta é implantar uma nova filosofia, aliando o treinamento técnico com os aparatos tecnológicos. Mas o foco, principalmente, é comportamental. Mas que filosofia é essa?

“Menos arbitragem, mais futebol. Acho que a gente precisa deixar o futebol respirar um pouquinho. Obviamente, isso não é um processo que vai ter resultado nesta sexta-feira (17), mas é um processo cultural, uma mudança de cultura. Isso leva um pouco de tempo, mas é importante que a gente tenha uma mensagem clara com os árbitros. Isso é muito importante para que eles entendam o caminho que a gente entende isso aqui”, disse Ricci.

Sandro é ex-árbitro de duas Copas do Mundo, ex-comentarista da Globo e ex-instrutor na Major League Soccer (MLS). Agora, vem para ser um dos rostos em um ambiente de pressão. Mas a estratégia da CBF é blindá-lo, deixando Netto Góes resolvendo as questões institucionais com clubes.

“Com a criação da diretoria de arbitragem, o trabalho da comissão se tornou muito mais técnico. É importante a gente deixar a questão institucional, estratégica, para a diretoria e focar na parte técnica dos árbitros. E o que eles (da CBF) pediram é que eu trouxesse um pouquinho da minha experiência de campo e também a experiência nos últimos três anos que eu tive com os árbitros profissionais da MLS, para poder contribuir com esse processo de desenvolvimento da arbitragem nacional”, acrescentou o novo presidente.

Os árbitros já estão sendo treinados com base nas novas regras adotadas pela Fifa na Copa do Mundo. A maioria delas vai ser adotada pela Conmebol -com exceção da Lei Vini Jr (que pune com cartão vermelho que falar com adversário colocando a mão na boca durante uma discussão).

No Brasileiro, a CBF marcou uma reunião com os clubes no início de agosto para bater o martelo para a data da incorporação das novas regras.

O QUE MAIS SANDRO MEIRA RICCI DISSE

O que viu dos árbitros até agora?

“Encontro aqui o pessoal bem motivado, bem feliz também. É importante a gente tentar, com esses treinamentos, criar uma filosofia de arbitragem. Para os clubes, é o estilo de jogo. Para a gente, é filosofia de arbitragem, para que a gente tenha decisões mais consistentes. É o objetivo nosso, mas também a expectativa do público e dos jogadores e das equipes”.

O que mais faz parte da filosofia?

“Na verdade, é um caminho para a melhoria do futebol. A gente tem um esforço muito grande sendo feito pela CBF no que diz respeito ao aumento do tempo de bola rolando. E a arbitragem é, de fato, um agente promotor disso. As pessoas vão ao estádio para ver futebol, não para ver arbitragem. Nós somos parte do futebol e a gente precisa tomar decisões que de fato sejam sempre claras. Porque uma decisão nossa pode interferir não só no jogo, mas também no resultado. É importante que a gente tenha uma filosofia de respeitar mais a dinâmica do futebol. É uma filosofia, uma mudança de cultura, mas eu acredito que os árbitros estão completamente alinhados a isso”.

Como vai lidar com o ambiente de reclamação e pressão?

“Uma das iniciativas que, de fato, me motivaram a aceitar esse desafio, que é um desafio gigante realmente, é uma mudança cultural que a gente tem que fazer. Não só de dentro pra fora. Mas também uma mudança de cultura que a gente precisa também fazer de lá pra cá. Ou seja, somos todos em prol do futebol. Precisa ter uma mudança de cultura por parte dos clubes, dos jogadores, para que a gente possa fazer um futebol melhor”.

“Sobre a relação com os clubes e federações, uma coisa muito importante que eu achei nesse processo é exatamente a gente separar o que é institucional do que é técnico. Então, a gente tem o apoio contínuo do Netto (Góes), da diretoria de arbitragem, nessa relação com os clubes e com as federações. Obviamente a gente participa da parte técnica, mas a gente entende que isso vai permitir com que nós, a comissão, esteja mais focada na preparação dos árbitros e nessa mudança de filosofia”.

Falando sobre exigência, como é que na sua função você vai lidar com erros?

“De maneira natural, é uma atividade do ser humano. Assim como os jogadores também erram, a gente tem que conhecer quando a gente erra. Existe uma análise que costuma acontecer da parte dos clubes, jogadores e torcedores, que é uma análise completamente parcial. E o que a gente não pode fazer é cometer exatamente esse erro, de ter aqui também uma análise parcial, corporativista. A gente pretende atuar com transparência. Isso vai trazer credibilidade, não só perante o mundo externo, mas também internamente. É importante os árbitros reconhecerem. Porque toda vez que você dá uma instrução ou toma uma decisão que pode parecer parcial, corporativista, você acaba prejudicando todo o processo de instrução. E a gente não pode comprometer todo um processo, que é sério, de instrução, apoiando decisões que são claramente equivocadas”.

Vai usar o termo geladeira se precisar tirar alguém da escala? Vai usar esse nome?

Não, não existe geladeira.

Já saíram escalas para rodadas mais adiante, com mais antecedência. Vai ser essa a política?

“Vai ser essa a política. A gente está falando de um ambiente profissional, correto? Os jogadores sabem dos compromissos que eles têm desde o começo do ano. Por que os árbitros não? A gente está falando de um ambiente profissional. É importante que o cara programe o treino dele. Como é que ele vai treinar durante essa semana, se ele só sabe na quinta ou sexta que tem um jogo sábado ou domingo? Então, até a preparação do árbitro durante a semana é afetada quando você solta escalas em cima da hora. A gente precisa tratar os árbitros como os jogadores são tratados. O mais similar possível. É importante para o planejamento não só profissional dele, para o planejamento técnico, físico e o planejamento familiar. A gente precisa de respeitar isso também. Então, é importante que a gente tenha essas escalas com antecipação para que possam se preparar melhor para o jogo, do ponto de vista tático e físico”.

Qual sua avaliação sobre o projeto de profissionalização

“Esse era um sonho impossível da arbitragem que se tornou possível graças à nova direção do CBF. Então, primeiramente é reconhecer que, depois de muitos anos esperando, com os árbitros desacreditados, esperando gerações, é importante reconhecer o esforço da direção do CBF ao começar isso. Acho que é um processo sempre em evolução. A gente nunca tem um processo perfeito, principalmente se tratando da experiência que a gente tem, que ainda está começando agora. Mas exatamente trazendo um pouco dessa experiência também dos Estados Unidos, a gente pode avançar sempre mais a cada ano”.

“É um processo muito bom, os árbitros estão muito satisfeitos com o conhecimento que a CBF deu a eles. E agora é trabalhar para consolidar esse processo. Esse processo não tem um nome. Se tiver um nome (de presidente da comissão). O nome é dos árbitros e é da direção da CBF. Então, é importante a gente valorizar esse esforço que tem sido feito para capacitar os árbitros. E também eles reconhecerem que, a partir de agora, o nível de exigência também vai ser maior. Esse trabalho de alinhamento de expectativas é o que a gente precisa fazer a cada treinamento”.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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