(FOLHAPRESS) – O professor e criador de conteúdo Ricardo Akira Matsufuji, 29, afirma ter sido vítima de uma agressão com motivação homofóbica dentro de um trem da linha 5-Lilás do metrô de São Paulo.
Segundo relato publicado por ele nas redes sociais, o ataque ocorreu na manhã de sábado (11), por volta das 7h45, quando um homem teria se aproximado por trás, desferido socos contra seu rosto e sua cabeça e feito ofensas relacionadas à orientação sexual da vítima.
O caso foi inicialmente registrado como lesão corporal e é investigado pela Polícia Civil.
Em nota, a ViaMobilidade, responsável pela administração da linha, lamentou o ocorrido e afirmou repudiar qualquer ato de violência, discriminação ou intolerância.
A empresa informou que, após ser comunicada sobre a situação, o operador solicitou a retenção do trem na estação Eucaliptos para o atendimento das equipes de segurança e assistência.
Segundo a concessionária, um dos passageiros apresentava escoriações no rosto, recebeu os primeiros socorros e foi encaminhado à UPA Vila Mariana e, posteriormente, ao 27º Distrito Policial para registrar a ocorrência.
Em vídeo publicado no Instagram, Matsufuji afirmou que decidiu relatar o episódio não apenas para contar o que aconteceu, mas também para chamar a atenção para a importância do apoio às vítimas de violência durante a busca por justiça.
“A violência não termina quando a agressão acaba”, escreveu o professor na legenda da publicação.
Segundo ele, ainda procura representação jurídica para acompanhar as medidas legais e pediu ajuda a profissionais ou organizações que atuem nessa área.
No relato, Matsufuji afirmou que não reagiu aos golpes e permaneceu desorientado após a agressão. A reportagem tentou contato com o professor pelas redes sociais, mas não obteve resposta.
De acordo com informações apresentadas pelo deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL) em um pedido de providências encaminhado às autoridades, a agressão provocou sangramento nasal, hematomas e outras lesões no rosto.
O documento afirma ainda que, devido à persistência das dores, Matsufuji procurou novamente atendimento médico, quando teria sido constatada uma perfuração no tímpano. Segundo o deputado, a lesão não teria sido identificada no primeiro exame de corpo de delito.
Cortez também apontou supostas inconsistências no registro inicial da ocorrência. De acordo com o parlamentar, o boletim foi elaborado apenas como lesão corporal, sem menção à possível motivação homofóbica.
A SSP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) informou que o caso foi registrado pelo 27º Distrito Policial, em Campo Belo, como lesão corporal e encaminhado à Delegacia do Metropolitano.
Segundo a pasta, foram solicitados exames periciais às partes envolvidas, e a autoridade policial permanece à disposição da vítima para colher novas informações que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.
A SSP acrescentou que, caso novos elementos sejam reunidos durante a apuração, a natureza da ocorrência poderá ser alterada, sem prejuízo das investigações em andamento.
A ViaMobilidade afirmou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com a apuração e declarou que suas equipes são treinadas para acolher vítimas e prestar suporte em casos de violência.
O deputado solicitou o envio do caso à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância e pediu a retificação do boletim de ocorrência para que a possível motivação homofóbica seja considerada na investigação.







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