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Dólar fecha em alta quase 1% e Bolsa avança antes de Datafolha, com títulos dos EUA em alta

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em forte alta de 0,98%, cotado a R$ 5,223, nesta quinta-feira (1º). A valorização ocorreu em meio a um movimento global de fortalecimento da moeda americana, acompanhado pela alta dos rendimentos dos Treasuries, títulos do governo dos Estados Unidos.

Os Treasuries de dez anos alcançaram máxima de 5,340%, ante 5,304% na véspera (30), alta de 0,68%. Os títulos de 30 anos também operaram em alta, com máxima de 5,690%.

Leonardo Brito, economista da Olimpo Investimentos, afirma que o movimento do dólar nesta quinta também esteve relacionado à alta do petróleo, que voltou a superar os US$ 100. Às 17h05, a commodity subia 4,73%, cotada a US$ 102.

O Ibovespa fechou em alta de 0,45%, aos 187.192 pontos, depois de apresentar volatilidade ao longo do dia. Entre as ações que subiram estiveram as da Petrobras, beneficiadas pela alta do petróleo. Na outra ponta, os papéis de grandes bancos, como Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Itaú, pressionaram o índice ao longo do dia. Também pesaram sobre a Bolsa os papéis de Suzano e Smart Fit.

Segundo Brito, a volatilidade da Bolsa esteve relacionada também à abertura da curva de juros. Às 17h08, a taxa para janeiro de 2028 estava em 13,555%, perto da estabilidade, enquanto a de janeiro de 2035 estava em 14,112%, alta de 0,13 ponto percentual.

Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, afirma que o movimento dos bancos esteve relacionado à queda das ações do Santander na Espanha na véspera (30). Segundo ele, a baixa dos papéis da matriz acabou influenciando o desempenho dos bancos brasileiros. Com isso, o especialista afirma que parte da queda dos outros bancos pode estar relacionada à realização de lucros, após a alta registrada por essas ações no pregão anterior.

No Brasil, investidores também acompanharam o cenário político, em meio à expectativa pela nova pesquisa Datafolha, que trará uma nova rodada de intenções de voto para a Presidência e os governos de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal, a três dias do primeiro turno, marcado para domingo (4).

As últimas pesquisas eleitorais vêm mostrando empate técnico entre o sernador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT). Segundo especialistas ouvidos pela Folha, a reação positiva do mercado ao avanço de Flávio nas pesquisas está relacionada à expectativa de uma condução fiscal mais sólida, o que poderia melhorar a percepção de risco sobre o mercado doméstico.

Uma percepção de maior controle sobre a trajetória da dívida pode reduzir o prêmio exigido pelos investidores para financiar o governo e, consequentemente, aliviar a pressão sobre a curva de juros. Juros mais altos encarecem o crédito para empresas e reduzem a expectativa de lucros das companhias, o que tende a pesar sobre a Bolsa.

A nova pesquisa Datafolha será divulgada no início da noite, antes do debate entre os presidenciáveis na TV Globo, previsto para começar por volta das 21h20. A previsão é de que o senador Flávio Bolsonaro participe do debate, enquanto o presidente Lula concederá entrevista a um podcast no mesmo horário.

No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,57%, mostrando que a valorização da moeda americana não ficou restrita ao mercado doméstico.

Os investidores também acompanharam as incertezas no mercado de petróleo. No último dia 26, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter rejeitado uma proposta do Irã para um cessar-fogo de sete dias. A iniciativa previa a reabertura do estreito de Hormuz durante o período em troca do fim do embargo econômico imposto por Washington e da retomada das negociações de paz. Desde então, houve poucas atualizações sobre um possível acordo entre os países.

A alta dos rendimentos dos títulos também apareceu em outros mercados. Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue, afirma que o título de 30 anos do Reino Unido superou 6% pela primeira vez desde 1998, enquanto o prêmio do título francês em relação ao alemão chegou a 134 pontos-base, o maior nível desde 2012. No Japão, o rendimento do título de dez anos atingiu o maior patamar em três décadas.

Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, afirma ainda que falas de diretores do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) gerias nesta quinta mantiveram um tom firme. Segundo ele, os dirigentes destacaram que a inflação continua acima da meta, com riscos de alta, e não descartaram novos aumentos de juros, apesar do dado do PCE divulgado na véspera.

Segundo o FedWatch, ferramenta do CME Group que acompanha as apostas do mercado para as decisões do Fed, havia 74% de chance de manutenção da taxa de juros na reunião dos dias 27 e 28 de outubro de 2026. Outros 26% apostavam em uma alta, para o intervalo entre 4% e 4,25%.

Para Marcos Praça, diretor de Análises da ZERO Markets Brasil, no entanto, as Bolsas americanas conseguiram melhorar ao longo da tarde após as declarações reduzirem parte dos temores de uma nova alta imediata dos juros. Philip Jefferson, John Williams e Neel Kashkari indicaram, em diferentes declarações, que o Fed não precisa agir com urgência, embora Kashkari tenha mantido aberta a possibilidade de um aperto adicional caso a economia e a inflação exijam.

O Dow Jones teve leve alta de 0,04%, enquanto o S&P 500 avançou 0,19% e o Nasdaq subiu 0,04%.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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