SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Boeing venceu a disputa pelo fornecimento do novo caça de sexta geração da Marinha dos Estados Unidos, um ano e meio após ganhar o contrato para a fabricação de modelo semelhante para a Força Aérea americana.
O anúncio foi feito pelo Pentágono na noite de terça-feira (29). O negócio, a exemplo do anterior, é estimado em US$ 20 bilhões (R$ 104 bilhões hoje) e prevê o primeiro voo do caça ainda nesta década, com introdução em serviço na próxima e com um cronograma de implantação até os anos 2040.
Para a Boeing, que luta para sair de crises paralelas principalmente na sua área de aviação comercial, é uma grande notícia. O presidente Donald Trump, que já tem trabalhado para incluir venda de aviões de passageiros da empresa em seus acordos e guerras comerciais, agora dá mais um empurrão à fabricante.
Há, contudo, dúvidas no mercado acerca das capacidades industriais da empresa. Contratos de sua divisão de defesa enfrentam problemas: a entrega do novo Air Force One foi postergada de 2024 para 2028, e o avião de reabastecimento KC-46 Pegasus enfrenta dificuldades técnicas que já custaram US$ 8 bilhões à Boeing.
Em comunicado breve, devido ao sigilo dos dados do contrato, a fabricante celebrou a renovação da parceria. O nome do novo avião ainda não foi escolhido. O modelo da Força Aérea se chama F-47, uma adulação a Trump, que hoje é o 47º presidente americano.
A licitação se chamava F/A-XX, em referência ao produto desejado: um caça (F de fighter, em inglês) com capacidades ofensivas (A de attack, ataque em português). Os dois X se referem à nova família de aviões. Foi derrotada na disputa a Northrop Grumman, e a Lockheed Martin já havia sido desqualificada no ano passado.
O negócio quase não saiu. Em meados do ano passado, ao enviar seu primeiro orçamento militar deste mandato ao Congresso, Trump na prática engavetou o projeto, dedicando todo o investimento ao F-47.
Houve pressão bipartidária para reverter isso e, ao fim, a Marinha conseguiu ver o F/A-XX de pé novamente neste ano. Tradicionalmente, cada nova geração de caças americanos tem um modelo naval e outro para a Força Aérea.
O F-35, que começou a voar na década passada, havia mudado a lógica, gerando variantes distintas do mesmo avião para a Marinha, Fuzileiros e Força Aérea.
Hoje, a empresa tem dois modelos na linha de frente americana, o F/A-18 Super Hornet, que é padrão da Marinha, e variantes do F-15 Eagle, da Força Aérea. Ocorre que nenhum deles foi desenhado pela Boeing, e sim herdados da McDonnell Douglas, empresa absorvida pela gigante em 1997.
A fabricante desenvolveu um modelo que perdeu a competição da quinta geração para o F-35, e agora assume duplamente o timão da próxima fase sob desconfiança do mercado.
Em favor da Boeing há a expectativa nos meios militares de que o F/A-XX seja um irmão próximo do F-47, que já tinha protótipos em teste.
Isso geraria comunalidade de componentes e da cadeia de suprimentos, algo vital para a viabilidade do projeto. Ainda não há previsão acerca da disponibilidade desses novos modelos para os aliados -enquanto o F-35 é uma empreitada multinacional, o mais poderoso F-22 da quinta geração nunca foi exportado.
Grosso modo, a sexta geração incorpora a furtividade ao radar e amplia a fusão de dados da quinta, cujo representante mais numeroso no mundo é o americano F-35.
Ponto central da designação é a possibilidade de controle de drones autônomos guiados por inteligência artificial, além de presumíveis motores mais eficazes.
O emprego do termo geração para caças é algo arbitrário, pois as capacidades de modelos modernizados acabam os colocando próximos de aviões mais novos.
Os suecos Gripen E/F, comprados pelo Brasil, são por exemplo vistos como no topo da quarta geração, mas já estão sendo testados para controlar drones e usar IA, elementos da sexta. Além disso, incorporam capacidades da quinta, exceto desenho para escapar de radares.
Como o F-35 continua sendo incorporado às frotas, é presumível que haja um entrelaçamento de operação dele, do F/A-18 e do futuro avião de sexta geração na Marinha. O mesmo se espera na Força Aérea.
Como todo armamento para a Marinha, o foco é a capacidade de operação nas grandes distâncias do Pacífico, onde a disputa geopolítica central é com a China. Pequim está com seu programa de caças de sexta geração mais avançado do que os EUA, com ao menos dois modelos diferentes voando em testes.
O projeto conjunto franco-germânico para um caça do tipo foi rompido neste ano, enquanto o modelo britânico-italiano-japonês está sendo desenvolvido. Os EUA estão na frente, por outro lado, no campo de bombardeiros, com o novo B-21 Raider já em testes de voo.
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