(FOLHAPRESS) – Corinthians, Palmeiras e São Paulo adotaram cautela após a publicação da Medida Provisória que proíbe as apostas esportivas e a publicidade das empresas do setor no Brasil.
Os três clubes têm contratos com casas de apostas e, por enquanto, evitam tomar decisões definitivas. A prioridade é acompanhar a discussão, principalmente a análise da MP pelo Congresso Nacional.
A medida começou a valer na sexta-feira (25), quando foi publicada. Para continuar valendo como lei, porém, precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias. Se isso não acontecer, perde a validade.
CORINTHIANS AGUARDA POSIÇÃO DA ESPORTES DA SORTE
O contrato do Corinthians com a Esportes da Sorte prevê a suspensão do patrocínio caso as casas de apostas sejam proibidas ou tenham a atividade suspensa de forma provisória. O acordo é válido até dezembro de 2029.
Conforme apurou a reportagem, a Esportes da Sorte avisou o Corinthians, na véspera da entrada em vigor da MP, que poderia usar essa previsão contratual.
A empresa, porém, ainda não comunicou oficialmente ao clube que vai suspender o patrocínio. O Corinthians aguarda tanto os próximos passos da MP quanto uma comunicação oficial da empresa antes de definir o que fará internamente.
O contrato prevê R$ 150 milhões por ano ao Corinthians e pode chegar a R$ 200 milhões com o cumprimento de metas. Em 2026, primeiro ano do contrato renovado, o valor fixo é de R$ 160 milhões por causa da inclusão de R$ 10 milhões que seriam destinados a ações de marketing. Parte desse valor foi usada na renovação do contrato com Memphis Depay.
A relação construída entre Corinthians e Esportes da Sorte também pesa na postura adotada pelo clube. Por enquanto, a tendência é que os dois lados mantenham o diálogo e evitem tomar decisões definitivas.
Fontes ligadas à diretoria corintiana consideram possível que a proibição seja alterada ou deixe de valer durante a análise no Congresso. Na visão do clube, porém, uma indefinição longa aumentaria o impacto financeiro sobre os contratos com empresas de apostas.
Internamente, o Corinthians entende que uma solução conjunta entre clubes e empresas pode ser mais eficaz do que decisões isoladas. Os contratos, no entanto, têm regras diferentes, o que impede uma única solução para todas as equipes.
PALMEIRAS TAMBÉM ESPERA
O Palmeiras também decidiu esperar antes de definir os próximos passos. O clube evita se manifestar publicamente e considera que o contrato com a Sportingbet continua valendo.
A estratégia é acompanhar a discussão no Congresso antes de tomar qualquer decisão. A MP ainda pode ser alterada, rejeitada ou perder a validade, e o Palmeiras não pretende detalhar possíveis alternativas comerciais neste momento.
O contrato com a Sportingbet prevê R$ 100 milhões fixos por temporada. O valor pode chegar a R$ 170 milhões por ano com bônus ligados ao cumprimento de metas, como títulos. O acordo foi assinado inicialmente por três temporadas, com possibilidade de renovação por mais uma.
O Palmeiras entende, assim como o Corinthians, que uma decisão definitiva depende não apenas dos efeitos imediatos da MP, mas também do que acontecer durante a análise do Congresso.
O clube considera o possível impacto financeiro da proibição, mas prefere esperar antes de definir o futuro da parceria. Por enquanto, a orientação é falar pouco sobre o assunto e acompanhar os próximos passos.
SÃO PAULO TEM PREVISÃO DE RESCISÃO
O contrato do São Paulo com a Superbet permite que a parceria seja encerrada caso as apostas esportivas sejam proibidas no Brasil, conforme apurou a reportagem. O acordo é válido até o fim de 2030.
Apesar dessa previsão, São Paulo e Superbet ainda não decidiram o que farão. Pessoas próximas à diretoria afirmam que os dois lados ainda não definiram uma estratégia após a publicação da MP.
O contrato pode chegar a R$ 1 bilhão em seis anos, caso as metas esportivas sejam atingidas, e também inclui outras propriedades comerciais. O clube renovou a parceria em abril de 2025.
Uma delas é o direito ao nome do centro de treinamento da Barra Funda, que passou a se chamar SuperCT. Na renovação, o São Paulo também anunciou um mecanismo para acompanhar os contratos de Flamengo, Palmeiras e Corinthians e permitir mudanças caso os valores praticados no mercado sofram alterações relevantes.
O presidente do São Paulo, Harry Massis Júnior, foi procurado pelo UOL por meio de sua assessoria de imprensa, mas não quis comentar o futuro da parceria.
MP AFETA PUBLICIDADE E PATROCÍNIOS
Os clubes e outras empresas têm até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente anúncios e materiais de publicidade. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar, segundo o cronograma divulgado pelo governo.
A medida pode afetar uma fonte importante de receita dos clubes brasileiros. Em 2025, as empresas de apostas pagaram R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos 20 clubes da Série A, de um total de R$ 3,069 bilhões arrecadados com patrocínios.
O valor das bets representou cerca de um terço de toda a receita com patrocínios dos clubes da elite nacional.
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