Barbra Streisand criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à disputa envolvendo o Kennedy Center, uma das principais instituições culturais de Washington. A cantora acusou o republicano de colocar seu “ego desmedido” no centro da controvérsia sobre o futuro e o nome do espaço.
Em um longo comunicado divulgado em seu site oficial, Streisand afirmou que ficou indignada ao acompanhar os acontecimentos envolvendo a instituição.
“É fácil imaginar a minha indignação ao ver esta venerada instituição tornar-se objeto de uma disputa tão amarga por causa do nome e do ego desmedido de um único homem”, declarou.
A manifestação ocorreu depois que um juiz federal determinou, na quinta-feira (17), que a administração responsável pelo Kennedy Center deverá avisar com pelo menos 30 dias de antecedência antes de promover alterações físicas significativas no prédio, incluindo uma eventual demolição.
A decisão foi tomada após Trump sugerir que o centro cultural poderia acabar sendo derrubado em meio à disputa sobre a inclusão de seu nome na instituição. O presidente afirmou que o prédio está em condições ruins e citou problemas estruturais para defender uma ampla reforma.
O juiz Christopher Cooper afirmou que a exigência do aviso prévio busca evitar dúvidas sobre eventuais intervenções no edifício diante dos acontecimentos recentes. A direção do Kennedy Center, por sua vez, afirmou que o fechamento temporário está relacionado a riscos de segurança provocados pela deterioração estrutural.
Trump foi fotografado com imagem sobre demolição
A preocupação com uma possível demolição aumentou após a divulgação de uma fotografia feita por Brendan Smialowski, da AFP. Na imagem, Trump aparece a bordo do Air Force One observando um material no qual é possível ler uma referência à demolição do Kennedy Center.
Antes disso, a Justiça havia impedido que o nome de Trump fosse colocado na fachada do centro sem autorização do Congresso. A administração recorre da decisão.
O conselho do Kennedy Center, formado em grande parte por indicados de Trump e presidido pelo próprio republicano, havia aprovado em agosto uma proposta para incluir o nome do presidente na fachada do edifício. O plano também previa outras homenagens caso um fundo de arrecadação atingisse determinadas metas.
Streisand relembra origem do Kennedy Center
No comunicado, Barbra Streisand também recordou a história da instituição. Após o assassinato do presidente John F. Kennedy, em 1963, o Congresso determinou que o então National Cultural Center se tornasse um memorial vivo em homenagem ao ex-presidente.
Inaugurado em 1971, o John F. Kennedy Center for the Performing Arts tornou-se um dos principais palcos culturais dos Estados Unidos, recebendo ao longo das décadas atores, músicos, cantores, bailarinos e companhias artísticas de diferentes partes do mundo.
Streisand, que recebeu a homenagem Kennedy Center Honors em 2008, afirmou considerar “doloroso” acompanhar a atual disputa em torno da instituição. Para a cantora, o espaço representa a importância das artes na sociedade e na vida democrática dos Estados Unidos.
A artista também questionou o fechamento do centro para reformas, aprovado pelo conselho após a decisão judicial sobre o nome do prédio. A administração do Kennedy Center sustenta que há problemas estruturais e riscos à segurança que precisam ser solucionados.
Ao final de sua manifestação, Streisand fez ainda um apelo para que os americanos participem das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. A declaração representa a posição política da cantora diante da disputa e das medidas adotadas pela atual administração.






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