Kylian Mbappé quebrou o silêncio sobre a polêmica envolvendo a camisa de apoio a Ceuta exibida antes da vitória do Real Madrid por 3 a 2 sobre o Elche, na terça-feira (15), no Estádio Manuel Martínez Valero. Em entrevista ao jornal espanhol As, o atacante francês explicou por que decidiu não mostrar integralmente a mensagem estampada na peça.
Mbappé, assim como Vinícius Júnior e Ibrahima Konaté, ocultou parcialmente a frase “Todos Somos Caballas”, usada em uma ação de solidariedade a Ceuta diante da crise migratória enfrentada pela cidade autônoma espanhola localizada no norte da África.
Após a repercussão da atitude, o francês afirmou que queria esclarecer sua posição para evitar a interpretação de que fosse contrário à população de Ceuta.
“Quero explicar bem, para que as pessoas entendam”, iniciou.
Segundo Mbappé, a decisão de incluir a camisa no protocolo antes da partida partiu dos clubes, e os jogadores também deveriam utilizá-la. O atacante, porém, disse que quis aproveitar o momento para demonstrar preocupação não apenas com os moradores de Ceuta, mas também com os imigrantes afetados pela crise.
“Foi uma decisão dos clubes incluir a camisa, vestir a camisa. Nós, jogadores, também tínhamos que vesti-la. A primeira coisa que quero dizer é que tenho toda a solidariedade com Ceuta e com todas as vítimas porque, antes de ser jogador, sou humano, mas também queria ter um gesto e um pensamento por todos os imigrantes que perderam a vida e que também estão em condições muito difíceis”, afirmou.
MBAPPÉ DIZ QUE NÃO QUER “PRIORIZAR SOFRIMENTOS”
O astro do Real Madrid reconheceu que sua atitude poderia ser interpretada como uma manifestação contrária à população de Ceuta, mas rejeitou essa leitura.
“Era uma posição que não era fácil, que era difícil, porque, no final, as pessoas podem pensar que sou contra o povo de Ceuta, mas não, absolutamente não. Não tenho nada contra eles, e os apoio 100% com o meu pensamento, mas queria também ter um pensamento por todas as pessoas que sofrem porque, no final, sou humano e não quero estabelecer prioridades no sofrimento”, prosseguiu.
Mbappé afirmou ainda que se sente afetado ao acompanhar situações de sofrimento em diferentes partes do mundo e disse que sua intenção é transmitir uma mensagem de paz.
“Há pessoas que sofrem, e me dá muita tristeza ver isso no mundo. Sou um rapaz que quer o melhor para o mundo que temos. Pretendo enviar uma mensagem de otimismo e de paz e espero que isso se resolva rapidamente”, completou.
A explicação foi dada após as críticas recebidas por Mbappé, Vinícius Júnior e Konaté pela maneira como os três lidaram com a camisa antes do confronto contra o Elche.
REAL MADRID REAGE ÀS CRÍTICAS
A posição de Mbappé veio menos de 24 horas depois de o próprio Real Madrid reagir à repercussão do episódio. Uma fonte da estrutura do clube, que não teve a identidade revelada, defendeu que os integrantes do elenco podem ter opiniões e sensibilidades diferentes.
“Só existe uma versão, que é a verdade. Vamos ver, o Real Madrid, assim como o El Corte Inglés, a Perfumerías Avenida ou o OK Diario, é um grupo de seres humanos, de pessoas, mas não de opinião pública. E cada um tem suas opiniões e sensibilidades. E é assim que deve ser”, afirmou a fonte, em declaração reproduzida pelo jornal espanhol Sport.
Segundo o representante do clube, o Real Madrid aceitou o pedido do Elche para participar da ação, mas isso não significava que todos os jogadores precisariam demonstrar apoio da mesma maneira.
“O pedido do Elche para que essas camisas fossem exibidas foi aceito pelo clube, e, no seu vestiário, existem opiniões, sensibilidades e visões da realidade”, acrescentou.
O dirigente também citou o Barcelona ao responder às críticas direcionadas ao Real Madrid e aos três jogadores.
“Quero lembrar que o Barcelona se recusou, como instituição, a fazer isso contra o Levante. E ninguém disse absolutamente nada”, afirmou.
A referência foi ao duelo entre Barcelona e Levante disputado no fim de semana anterior, no Estádio Ciudad de Valencia. O clube catalão não participou institucionalmente da mesma manifestação de apoio a Ceuta.
POLÊMICA ACONTECEU ANTES DE VITÓRIA DO REAL
A discussão ocorreu antes de o Real Madrid entrar em campo contra o Elche. Mesmo jogando fora de casa, a equipe venceu por 3 a 2.
A repercussão da partida, porém, acabou dividindo espaço com o episódio envolvendo as camisas e, principalmente, com a atitude de Mbappé, Vinícius Júnior e Konaté.
Ao falar pela primeira vez de maneira detalhada sobre o caso, Mbappé procurou deixar claro que sua decisão não representava rejeição à população de Ceuta. Segundo o francês, sua intenção era não limitar a manifestação de solidariedade a apenas um dos grupos afetados pela crise.
“Antes de ser jogador, sou humano”, resumiu o atacante ao explicar sua posição.






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