NICOLA PAMPLONA
SÃO PAULO, SP E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A Petrobras anunciou na noite desta quarta-feira (9) aumento de R$ 0,19 por litro o preço da gasolina vendida em suas refinarias. Poucas horas depois, recuou, dizendo que o produto, na verdade, ficará R$ 0,19 por litro mais barato para as distribuidoras.
Os anúncios foram feitos pouco depois de uma entrevista do governo sobre novas medidas para conter a alta do preço dos combustíveis após a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã. Na quarta, o petróleo Brent bateu US$ 100 por barril pela primeira vez em três meses.
No primeiro comunicado, divulgado pouco antes das 21h, a Petrobras afirmou que o preço de venda em suas refinarias subiria para R$ 3,24 por litro, mas o aumento de isenção tributária anunciado horas antes pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compensaria a alta de R$ 0,19.
Pouco antes de 1h desta quinta (10), a estatal divulgou novo comunicado corrigindo o anterior. Nele, dizia que o preço de venda da gasolina nas refinarias será de R$ 3,05 por litro. Para o consumidor, o efeito será uma redução de R$ 0,19 por litro, equivalente ao aumento do desconto nos impostos federais.
A Petrobras não explicou ainda o que motivou a mudança. À reportagem, integrante da cúpula da empresa negou recuo, atribuindo a mudança de direção a um erro na comunicação interna.
A última vez em que a empresa recuou de um aumento no preço dos combustíveis foi em abril de 2019, no governo Jair Bolsonaro. Na ocasião, o próprio ex-presidente telefonou ao então presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para cancelar um aumento no diesel.
A pressão sobre os preços dos combustíveis ocorre em um momento em que o presidente Lula está pressionado nas pesquisas eleitorais de 2026 pelo crescimento do principal concorrente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo a mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada na terça (8), os dois aparecem empatados tecnicamente em simulação de segundo turno, com 46% de intenção de votos para Lula e 44% para Flávio.
O pacote anunciado na quarta é uma tentativa de evitar impactos da retomada da guerra para o consumidor final. Nele, Lula ampliou o desconto dos impostos federais sobre a gasolina de R$ 0,44 para R$ 0,63 por litro. O pacote permite ainda elevar em R$ 1 por litro a subvenção ao diesel, hoje em R$ 1,12 por litro.
Essas três medidas terão um impacto mensal aproximado de R$ 7 bilhões. Para ajudar a pagar a conta, Lula editou medida provisória liberando crédito extra de R$ 6,6 bilhões para subsídios aos combustíveis.
Os descontos no preço, porém, não ajudam a Petrobras, que convive com elevadas defasagens em relação aos preços internacionais dos combustíveis.
Nesta quinta, por exemplo, o preço da gasolina vendida pela estatal estava R$ 0,96 mais barato do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). O aumento de R$ 0,19 por litro anunciado na noite de quarta aliviaria a diferença.
No diesel, o cenário é mais grave. A Petrobras está hoje vendendo o produto pela metade do preço de importação. Isto é, para cada litro importado, deixa de receber R$ 3,20 por litro, segundo as estimativas da Abicom. Parte dessa perda é aliviada pela subvenção de R$ 1,12 por litro.
Na nota divulgada na noite de quarta, a estatal diz que ainda aguarda definições do governo sobre a nova subvenção sobre o diesel anunciada por Lula.
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