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Estudantes da rede pública concluem o ensino médio sem dominar regra de três e gráfico de pizza

(FOLHAPRESS) – Alunos da rede pública ainda concluem o ensino médio sem dominar habilidades básicas de matemática, como regra de três e construção de gráficos de pizza, mostram os resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) 2025, divulgados nesta quarta-feira (5).

Embora 22 dos 27 estados e o Distrito Federal tenham registrado melhora nas notas de matemática da rede estadual, o desempenho nacional permanece estagnado no mesmo patamar da divulgação anterior, de 2023: o nível 2, o segundo mais baixo da escala de proficiência do Saeb, prova que compõe o indicador federal.

O que é o Ideb e como ele mede a educação?

O Ideb é calculado a cada dois anos e é o principal indicador de qualidade da educação básica no Brasil. Um dos critérios usados para compor o índice é o resultado das provas do Saeb, o Sistema de Avaliação da Educação Básica, aplicadas pelo MEC e pelo Inep para medir o desempenho dos estudantes em matemática e língua portuguesa.

Ensino médio público segue no nível 2 em matemática

Nacionalmente, os alunos do terceiro ano do ensino médio da rede pública tiveram nota 268,89 em matemática em 2025, uma alta de 1,6% em relação aos 264,68 pontos registrados em 2023.

O resultado mantém o país no nível 2 da escala de proficiência do Saeb, dividida em dez níveis de aprendizagem, do mais elementar ao mais avançado.

A nota de 2025 é a segunda melhor da rede pública em matemática no ensino médio desde o início da série histórica do Saeb, em 2005, atrás apenas dos 269,03 pontos registrados em 2019.

Ainda assim, o país nunca deixou a faixa dos 260 pontos ao longo de duas décadas de avaliações.

O que os alunos sabem no nível 2 do Saeb?

Nesse patamar, os estudantes conseguem localizar coordenadas de pontos em um plano cartesiano, identificar onde o gráfico de uma função cruza o zero, calcular o valor de uma função a partir de sua fórmula e resolver sequências simples de progressão aritmética.

Na leitura de dados, também são capazes de associar um gráfico de pizza pronto às informações percentuais que ele representa.

O aluno, portanto, consegue interpretar o gráfico, mas ainda não sabe construí-lo. Essa habilidade, assim como a regra de três, aparece apenas no nível seguinte, que a maior parte do país ainda não alcançou.

Apenas seis estados chegaram ao nível 3

Somente seis das 27 redes estaduais atingiram o nível 3 em 2025:

Paraná, com 288,65 pontos;

Goiás, com 286,83;

Piauí, com 286,60;

Espírito Santo, com 283,76;

Rio Grande do Sul, com 282,88;

Pernambuco, com 278,69.

Em 2023, apenas três estados haviam alcançado esse patamar.

Rio de Janeiro teve a pior nota do país

Na outra ponta, o Rio de Janeiro registrou a pior nota entre os estados em 2025, com 251,53 pontos, uma queda de 0,66 ponto em relação a 2023.

Maranhão, com 252,03 pontos, e Bahia, com 252,49, aparecem logo acima, com altas de 0,96 e 1,52 ponto, respectivamente, no mesmo período.

São Paulo passou de 264,66 pontos em 2023 para 268,32 em 2025 e subiu da 12ª para a 10ª posição entre os estados na nota de matemática.

Rede privada alcança nível 4 no ensino médio

Na rede privada, a nota nacional de matemática chegou ao nível 4 em 2025, com 321,73 pontos, uma alta de 1,06% em relação aos 318,35 registrados em 2023.

Nesse patamar, os estudantes concluem o ensino médio sabendo, entre outras habilidades, resolver problemas de área em figuras formadas por retângulos e calcular a probabilidade de ocorrência de um evento simples.

Entre as redes privadas, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Tocantins e São Paulo tiveram as quatro melhores notas do país.

Na outra ponta, Pará, Amazonas e Alagoas registraram os piores resultados.

Anos iniciais têm alta histórica em matemática

No ensino público dos anos iniciais, do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, a nota nacional de matemática subiu de 218,26 pontos em 2023 para 227,41 em 2025, a maior alta já registrada.

Com o resultado, o país saiu do nível 4 para o nível 5 na escala de proficiência da disciplina para o 5º ano, que vai do nível 1 ao nível 10.

Nesse novo patamar, os alunos conseguem localizar um ponto entre outros dois já fixados em uma figura geométrica, reconhecer a planificação de um cubo, converter uma quantia em moedas para cédulas e estimar a altura de um objeto com o auxílio de uma régua.

Paraná lidera a rede pública nos anos iniciais

Entre os estados, o Paraná teve a melhor nota da rede pública nos anos iniciais, com 250,83 pontos, sendo o único a atingir o nível 6 da escala.

Completam a lista das cinco melhores notas Ceará, Santa Catarina, São Paulo e Espírito Santo.

Na outra ponta, Maranhão, Bahia, Amapá, Sergipe e Rio Grande do Norte registraram os piores resultados do país.

Na rede privada, o resultado seguiu na direção contrária. A nota nacional teve uma leve queda, de 254,33 pontos em 2023 para 253,73 em 2025.

Mesmo com o recuo, o ensino privado permanece um nível acima da rede pública, no nível 6 da escala de proficiência.

Anos finais registram segunda melhor nota da série histórica

Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, a rede pública também avançou em matemática, de 251,27 pontos em 2023 para 256,23 em 2025.

É a segunda melhor nota já registrada nessa etapa desde o início da série histórica, atrás apenas dos 257,18 pontos obtidos em 2019.

Com o resultado, os estudantes permanecem no nível 3 da escala de proficiência de matemática do 9º ano.

Nesse patamar, os alunos concluem o ensino fundamental sabendo associar dados de uma tabela a um gráfico de setores e localizar números inteiros positivos em uma reta numérica.

Paraná também lidera os anos finais

O Paraná foi o único estado a atingir o nível 4 nos anos finais da rede pública, com 275,24 pontos.

Goiás e Ceará completam o pódio.

São Paulo também melhorou, de 256,51 pontos para 258,57. Apesar do avanço, o estado caiu da sexta para a décima colocação no ranking nacional.

Na rede privada, a nota dos anos finais subiu de 295,19 pontos em 2023 para 298,45 em 2025, mantendo o ensino privado no nível 4 da escala, um patamar acima da rede pública.

Como o Ideb é calculado?

O Ideb combina dois componentes: a taxa de aprovação das escolas e o desempenho dos estudantes em matemática e língua portuguesa, medido pelo Saeb.

Criado em 2007, o indicador estabelece metas para cada escola, rede de ensino e para o país como um todo.

Rede particular retrocedeu no ensino médio em relação ao período de antes da pandemia, em 2019. Diferença de aprendizagem entre as duas redes ainda equivale a anos de estudo

Folhapress | 20:36 – 05/08/2026

Fonte: Notícias ao Minuto

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