Blast

Morte de adolescente leva polícia a grupo suspeito de induzir jovens ao suicídio pela internet

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta terça-feira (4) a Operação Lívia contra uma organização criminosa suspeita de aliciar crianças e adolescentes pela internet para submetê-los a violência psicológica, desafios extremos e automutilação, chegando, em casos extremos, a induzi-los ao suicídio.

A ação foi motivada pela investigação da morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí (MS) em 22 de julho.

A operação é coordenada nacionalmente pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), de Mato Grosso do Sul, em conjunto com o Ciberlab, da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), órgão do MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública). Há apoio das polícias civis do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, do Pará e do Ceará.

Foram cumpridos simultaneamente sete mandados judiciais: seis medidas de busca e apreensão contra adolescentes e um mandado de prisão contra um investigado adulto. As medidas foram executadas em Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Ceará e no Pará, este último referente ao mandado de prisão.

Celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos apreendidos serão periciados. Segundo a Polícia Civil, o material pode ajudar a identificar novas vítimas e outros integrantes da organização. Duas equipes da Depca acompanharam pessoalmente o cumprimento das medidas no Rio de Janeiro e no Ceará; os demais mandados foram executados pelas polícias civis locais.

COMO COMEÇOU A INVESTIGAÇÃO

O caso teve início a partir da apuração sobre o suicídio da adolescente de 13 anos em Naviraí. As primeiras diligências da Depca, em atuação conjunta com o Ciberlab, indicaram que a morte não era um caso isolado, mas estava ligada à atuação de uma organização criminosa estruturada e com alcance nacional no ambiente digital.

A partir da análise das evidências digitais, a polícia identificou uma segunda vítima em outro estado, cuja identidade foi preservada, e elementos que apontam para a existência de outras vítimas ainda não identificadas.

Segundo as investigações, integrantes da organização mantinham presença permanente em diferentes plataformas digitais, onde recrutavam crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional e formavam grupos fechados para exercer manipulação psicológica sobre as vítimas.

A Folha mostrou neste mês como grupos digitais se organizam como facções, com divisão de tarefas e hierarquias, e se voltam a crimes contra crianças e adolescentes em plataformas.

No caso de Mato Grosso do Sul, depois de conquistar a confiança dos adolescentes, os investigados os submetiam a um processo contínuo de coação, isolamento e violência psicológica, que incluía desafios de violência crescente, automutilação, humilhações e exposições degradantes -práticas usadas, segundo a polícia, para aprofundar o domínio sobre as vítimas.

As investigações continuam, e novas medidas podem ser adotadas a partir da perícia no material apreendido.

Leia Também: Polícia Federal investiga esquema que simulava roubos de encomendas nos Correios

Fonte: Notícias ao Minuto

4 Visitas totales
4 Visitantes únicos

Publicar comentário