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Economia desacelera, e governo contra-ataca com estímulos pré-eleitorais

LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A economia brasileira dá sinais de desaceleração no segundo trimestre após o crescimento de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) dos três meses iniciais de 2026, dizem analistas.

Para eles, o pacote de estímulos do governo Lula (PT) antes das eleições de outubro não deve impedir a perda de ritmo ao longo do ano, mas tende a atenuar esse movimento. A desaceleração tem sido qualificada como gradual pelos especialistas.

Levantamento publicado pela Folha no início de julho indicou que as medidas de estímulo do governo mobilizavam mais de R$ 180 bilhões neste ano. O pacote inclui linhas de crédito com juros mais baixos do que os de mercado, renúncias fiscais e subvenções.

Na quarta-feira (22), o governo anunciou R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento a empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Segundo o anúncio, os recursos têm origem nas sobras do programa Brasil Soberano 1, de agosto passado, além de valores destinados à renegociação de dívidas rurais.

“Essas medidas amortecem a desaceleração, mas não vão gerar um ímpeto surpreendente para a atividade econômica”, afirma o economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco Austin Rating, que prevê avanço de 0,5% para o PIB do segundo trimestre.

O indicador contou com o empurrão da safra nos três meses iniciais de 2026, quando o crescimento ficou acima de 1%.

O Brasil, porém, segue com juros altos para frear a inflação. Analistas apontam a política monetária como a principal explicação para a previsão de perda de ritmo da atividade econômica.

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) passou a cortar a taxa básica de juros (Selic) em março, mas ela segue em dois dígitos. A Selic baixou a 14,25% ao ano na reunião mais recente do colegiado, ocorrida em junho, corte de 0,25 ponto percentual.

Em maio, a atividade econômica registrou leve variação positiva de 0,1% ante abril, conforme dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) divulgados pelo BC no dia 17 de julho.

A elevação foi menor do que a registrada no quarto mês do ano (0,4%), sinalizando uma relativa estabilidade.

Antes da divulgação do IBC-Br, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicou pesquisas setoriais que, na visão de analistas, reforçaram a percepção de desaceleração econômica.

O instituto apontou variações próximas a zero, na passagem de abril para maio, no volume de vendas do comércio varejista (+0,1%), na produção industrial (-0,2%) e no volume do setor de serviços (-0,4%).

Embora os juros dificultem o crescimento, o desempenho do mercado de trabalho e as medidas do governo tendem a manter “uma certa resiliência” na atividade econômica, diz a economista Claudia Moreno, do C6 Bank.

O banco projeta alta de 0,7% para o PIB do segundo trimestre frente aos três meses iniciais de 2026. Na comparação com o período de abril a junho do ano passado, a previsão é de avanço de 2,4%.

“A gente está vendo essa desaceleração, ela já está em curso. Os dados de curto prazo vieram um pouco mais baixos [do que as projeções], mas não preocupam tanto”, afirma Claudia.

“A gente acha que essa desaceleração não vai ser forte. Ela é gradual”, acrescenta.

O IBGE agendou a publicação do PIB do segundo trimestre para o dia 1º de setembro.

Indicadores como o IBC-Br não substituem o PIB, mas fornecem um olhar complementar para a atividade, a partir de um conjunto mais restrito de informações e uma divulgação mais rápida.

PREOCUPAÇÃO COM CONTAS PÚBLICAS E INFLAÇÃO

O economista-chefe da Way Investimentos, Alexandre Espirito Santo, prevê avanço de 0,4% a 0,5% para o PIB do segundo trimestre em relação ao primeiro.
Na avaliação de Espirito Santo, a economia está “certamente” perdendo força, e o desempenho só não será menor devido ao dinheiro injetado pelo governo antes das eleições. Ele, contudo, relata preocupação com o impacto fiscal de medidas de estímulo.

“Elas atenuam [a desaceleração], mas estão contratando uma dor de cabeça para a frente porque isso vai virar dívida”, diz o economista, que também é professor da ESPM e do Ibmec-RJ.

Na mediana, as projeções do mercado financeiro indicam alta de 1,99% para o PIB no acumulado de 2026, segundo o boletim Focus, do BC. A taxa prevista está abaixo da variação de 2,3% registrada pelo indicador no ano passado.

O Ministério da Fazenda estima novo avanço de 2,3% em 2026. O FMI (Fundo Monetário Internacional) espera uma alta de 2,4%.

Os juros elevados desafiam o crescimento do PIB porque encarecem o crédito para os investimentos das empresas e o consumo das famílias. Por outro lado, tentam conter a inflação ao reduzir a demanda que pressiona os preços.

A questão, dizem analistas, é que o controle inflacionário tende a ficar mais complicado com as medidas de estímulo. A avaliação é rebatida pelo governo.
“Política fiscal e política monetária são que nem namorada e namorado em shopping: têm que andar de mãozinha dada”, afirma Espirito Santo.

“Se a política fiscal vai para um lado, e a política monetária vai para o outro, vai ser um problema, elas se tornam inócuas. A política monetária está apertadíssima e a política fiscal, frouxa”, acrescenta.

O economista ainda cita duas variáveis que podem gerar incertezas durante o segundo semestre: a “cabeça” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a corrida eleitoral no Brasil.

Após Trump dizer que a trégua estabelecida entre os países estava acabada, os Estados Unidos recomeçaram os ataques a pontos do Irã. A guerra iniciada em 28 de fevereiro provocou reflexos econômicos como o aumento das cotações do petróleo.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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