LAURA SCOFIELD E CATIA SEABRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O PT decidiu priorizar o estado de São Paulo na largada da campanha do presidente Lula à reeleição. O estado será palco de grandes eventos já nos próximos dias e está na mira da publicidade online do partido.
Desde junho, o partido gastou mais de R$ 500 mil com o direcionamento de anúncios nas redes da Meta, que é dona do Facebook e Instagram, para 25 cidades. Os conteúdos divulgam as obras do governo federal nos municípios e muitos são narrados pelo pré-candidato ao governo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad.
São Paulo é o único estado que tem anúncios direcionados pela página nacional do partido. “O governo federal tem feito muita coisa aqui e em todo o estado, mas tentam esconder isso de você”, diz Haddad nos conteúdos.
A capital recebeu o maior investimento, com mais de R$ 122 mil, seguida por Campinas, Guarulhos e São Bernardo. As postagens já chegaram a mais de 43 milhões de impressões e seguem sendo mostradas ao público.
De acordo com o deputado federal Jilmar Tatto (SP), cidades que têm universidades ou institutos federais serão priorizadas, pois teriam um público “mais aberto às nossas propostas”.
Os petistas também esperam que a lembrança de momentos em que o PT ocupou prefeituras ajude o partido, que já teve mais de 70 prefeitos no estado.
A priorização do estado se mostra ainda na escolha de municípios paulistas para sediar os primeiros grandes eventos da campanha nacional.
Pelo cronograma original, a convenção do PT para formalização da candidatura de Lula aconteceria em Brasília, mas foi agendada para a capital do estado. Neste sábado (25), o presidente deverá participar, em Campinas, do ato de oficialização do nome de Haddad para a disputa pelo governo.
O PT também cogitava fazer o lançamento da campanha de Lula no Nordeste, mas decidiu realizá-lo em São Bernardo do Campo, onde ele iniciou sua trajetória política.
De acordo com pessoas próximas a Lula, o próprio presidente está convencido de que foi a diminuição da vantagem de Jair Bolsonaro no estado que levou à vitória nas eleições de 2022 e por isso decidiu focar na região.
Em 2018, o candidato petista Fernando Haddad recebeu 7,2 milhões de votos em SP, enquanto Jair Bolsonaro foi escolhido por 15,3 milhões de paulistas, ou seja, registrou mais que o dobro dos votos.
Já em 2022, a vantagem de Bolsonaro sobre Lula no estado foi de 2,6 milhões. Ao todo, Lula recebeu 11,5 milhões de votos e ganhou na capital, enquanto Bolsonaro ficou com 14,2 milhões e foi o preferido do interior.
“O grande desafio nosso é continuar diminuindo a diferença da votação do Lula em relação ao Bolsonaro”, explica Tatto.
“Então a estratégia é fincar o pé em São Paulo e disputar São Paulo, tanto para presidente como para governador. A campanha será feita colando Haddad e Lula. As agendas, os materiais, os visuais, o impulsionamento, tudo vai ter muito a cara dos dois”, acrescenta.
“O Nordeste sempre comparece nas eleições, compareceu em todas as eleições do presidente Lula, da Dilma, e na eleição que o Haddad foi candidato. A disputa para tirar a diferença é São Paulo”, complementa o deputado e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Paulo Teixeira (PT).
Apesar disso, destaca que Minas Gerais e Rio de Janeiro também são estados importantes.
A ofensiva em São Paulo também se revela na chapa petista como um todo, que conta com nomes de peso no cenário político. Haddad, por exemplo, terá como vice o ex-governador e ex-ministro Márcio França (PSB).
Para o Senado, concorrerão duas ex-ministras, Simone Tebet (PSB), do Planejamento, e Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente. As duas iniciaram sua carreira política em outros estados e mudaram o domicílio eleitoral para São Paulo.
Cada qual terá seu foco. Alckmin e a esposa, Lu Alckmin, junto com Tebet, são as apostas do partido para o interior. Já França deve priorizar a Baixada Santista, que reúne cidades como Santos e Cubatão. Marina Silva deve focar na conquista dos votos de mulheres evangélicas.
Há um esforço para garantir a chegada de Haddad ao segundo turno, na tentativa de impedir que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se dedique, exclusivamente, à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) caso eleito no primeiro.
Pesquisa Datafolha deste mês mostrou Tarcísio isolado na liderança, 16 pontos à frente de Haddad, segundo colocado, e o desmonte do palanque do PT em São Paulo pode debilitar a campanha de Lula. Por isso, petistas dizem que não trabalham com essa opção e planejam levar a campanha até novembro.
Dentro desse esforço, a secretária de Juventude do partido Julia Köpf destaca que há ainda uma estratégia que valoriza os parlamentares jovens do partido como porta-vozes do grupo, em especial na região metropolitana paulista, que seria mais progressista. Desde o início do ano, Lula tem tentado rejuvenescer a bancada do partido, que é a terceira com a média de idade mais alta da Câmara dos Deputados.
As divulgações de ações do governo federal no estado integram ainda a estratégia de ataque ao candidato opositor, o atual governador Tarcísio. De acordo com os petistas, as campanhas pretendem destacar que parte dos investimentos que têm gerado crédito político a Tarcísio é oriunda da gestão Lula.
“Por exemplo, tabela do SUS [Sistema Único de Saúde] Paulista, não existe SUS Paulista, é o dinheiro do SUS do governo federal, entendeu? É para as pessoas reconhecerem de fato qual é o trabalho do governo Lula”, disse Köpf.
A chamada Tabela SUS Paulista é uma das principais apostas do governador para a saúde. O programa atualiza os valores pagos pelos procedimentos no SUS para reduzir o descompasso entre os custos reais e o que é repassado e tem sido relacionado ao aumento no número de procedimentos.
Já o Ministério da Saúde contesta essa avaliação e diz que o orçamento federal para a área é 77% maior do que em 2022, alcançando R$ 247,5 bilhões em 2026, o maior da história. De acordo com o governo Lula, esse seria o motivo do aumento nos procedimentos em estados brasileiros.
Na avaliação de petistas, Lula deve priorizar também os estados de Minas e Rio de Janeiro, na tentativa de ampliar sua votação em comparação a 2022, mantendo a liderança no Nordeste.
Ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, José Guimarães (PT) ressalta a importância dos palanques no Sudeste para a consolidação da liderança de Lula na disputa.
“Entendo que a eleição vai ser decidida em Minas, Rio e São Paulo, onde nós estamos com três palanques fortes, e, é claro, mantendo a nossa performance no Nordeste”, afirmou.
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