Andrew e Tristan Tate foram presos no sábado por agentes do U.S. Marshals, em cumprimento a um mandado confidencial, informou o porta-voz da agência, Brady McCarron, à Associated Press (AP). A prisão coloca os Estados Unidos no centro de uma longa disputa judicial internacional que já passou pela Romênia e pelo Reino Unido.
Os promotores britânicos anunciaram no sábado que solicitaram a extradição dos irmãos para responder a acusações de estupro e tráfico de mulheres, crimes que teriam sido cometidos entre 2010 e 2017.
Com dupla cidadania — norte-americana e britânica —, os irmãos se mudaram para a Romênia em 2016. Eles foram presos no país em 2022, acusados de integrar um esquema para atrair mulheres com o objetivo de explorá-las sexualmente. Ambos negam as acusações, e o processo foi interrompido devido a irregularidades legais e processuais.
Segundo uma fonte familiarizada com o caso, ouvida pela Associated Press sob condição de anonimato por se tratar de uma operação policial sigilosa, os dois deverão comparecer ao tribunal federal de Miami no início da próxima semana.
As acusações apresentadas no Reino Unido afirmam que os irmãos abusaram de mulheres em uma região ao norte de Londres, onde cresceram. Os advogados de defesa disseram que seus clientes negam todas as acusações.
Joseph McBride, advogado que representa os irmãos Tate, afirmou em entrevista por telefone no sábado à noite que ainda não conseguiu falar com seus clientes. Ele classificou as novas acusações do Reino Unido como uma “campanha difamatória” destinada a prejudicar os processos por difamação movidos pelos irmãos nos Estados Unidos.
“Eles estão fazendo tudo o que podem para garantir que esses homens nunca tenham a oportunidade de se defender em tribunal”, afirmou McBride.
“Estamos confiantes de que, assim que um juiz competente analisar os fatos e o Departamento de Justiça enfrentar esse claro abuso de autoridade, Andrew e Tristan Tate serão libertados. Os Estados Unidos não fazem o trabalho político sujo do Reino Unido”, acrescentou.
Andrew Tate, de 39 anos, ganhou notoriedade em 2016 ao participar do reality show britânico Big Brother. Ele foi expulso do programa após a divulgação de um vídeo que aparentemente o mostrava agredindo uma mulher. Ele e o irmão Tristan Tate, de 38 anos, são apoiadores declarados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Andrew Tate acumulou mais de 10 milhões de seguidores na rede social X, mas foi banido de plataformas como YouTube, TikTok e Instagram por violar as políticas relacionadas ao discurso de ódio. Entre as declarações mais criticadas estão comentários afirmando que mulheres vítimas de violência sexual deveriam assumir parte da responsabilidade pelos ataques sofridos, descrições explícitas sobre como poderia agredir mulheres e críticas a pessoas que buscam tratamento para doenças mentais.
Os irmãos Tate negam de forma consistente todas as acusações de abuso e tráfico de pessoas. Eles alegam que suas declarações consideradas violentas e misóginas foram tiradas de contexto ou feitas em tom de brincadeira.
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