BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O senador Cid Gomes (PSB-CE) decidiu concorrer à reeleição após pedido do presidente Lula (PT). Cid vinha dizendo que não disputaria mais eleições.
Com a decisão, o senador reforçará a chapa do atual governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT). Pesquisas de intenção de voto apontam que Elmano corre risco de não se reeleger. O principal adversário deve ser o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB), irmão de Cid. O PT governa o estado há quase 12 anos.
O senador teve uma conversa final com Lula no Palácio da Alvorada nesta terça-feira (14). Também participaram Elmano de Freitas, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) e o senador Camilo Santana (PT-CE), todos cearenses.
Durante o encontro, o presidente e Cid posaram para fotos que deverão ser usadas na divulgação da aliança. “O presidente fez um apelo. Sou um soldado do partido”, disse Cid Gomes à Folha de S.Paulo.
De acordo com ele, Lula demonstrou estar preocupado com a possibilidade de eleger poucos senadores aliados, o que enfraqueceria a bancada governista no Congresso para um eventual novo mandato do presidente.
“O Cid declarou apoio ao Lula e ao Elmano e vai ser o nosso candidato a senador em uma das vagas. Atendeu ao apelo do presidente”, disse Guimarães.
Segundo ele, ainda falta definir qual será o segundo candidato a senador na chapa de Elmano.
Além de Cid, os outros senadores do Ceará são Eduardo Girão (Novo) e o próprio Camilo Santana. Girão deverá concorrer ao governo estadual, enquanto Camilo tem mais quatro anos de mandato e não vai se candidatar.
O presidente da República busca resolver as últimas pendências da aliança pela qual disputará a reeleição. O período de convenções partidárias -quando as legendas escolhem seus candidatos e formalizam seus apoios- vai de 20 de julho a 5 de agosto.
O principal problema a ser solucionado pelo presidente é qual será seu candidato a governador em Minas Gerais, estado que tem o segundo maior eleitorado do país. A expectativa é que ainda nesta semana ele converse com o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) para lançá-lo na disputa.
A costura de alianças regionais é relevante para a montagem de palanques do presidente. A ideia é que candidatos a governador e senador façam campanha nos estados pelo aliado que disputa o governo federal.
Os irmãos Cid e Ciro Gomes, ambos ex-governadores do Ceará, estão rompidos desde 2022. O atual senador discordou naquele ano da decisão do irmão de desfazer aliança local com o PT e lançar candidato ao governo pelo PDT. Ciro, no período, intensificou as críticas ao partido do presidente Lula e pretende ter o apoio de bolsonaristas do estado.
A aliança entre Ciro e o PL no Ceará foi o pivô do desentendimento entre o presidenciável Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Michelle rejeita o apoio e cita os ataques feitos a Bolsonaro pelo pré-candidato do PSDB em campanhas presidenciais anteriores.
Na última sexta-feira (10), Flávio participou de evento político em Fortaleza no qual foi lançada a pré-candidatura ao Senado do deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes, deputado federal que é o principal fiador da estratégia de aliança ampla para enfrentar o governador Elmano de Freitas.
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