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Número de mortos na Venezuela após terremotos sobe para 2.295

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O número de vítimas dos dois terremotos que atingiram a Venezuela há uma semana subiu para 2.295 mortos e mais de 11 mil feridos, informou hoje o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.

Rodríguez também afirmou que há 12.841 pessoas desabrigadas em decorrência do duplo terremoto ocorrido em 24 de junho. O balanço anterior, divulgado na terça-feira, registrava 1.943 mortos e 10.571 feridos.

Quase 59 mil edifícios foram danificados ou destruídos, enquanto dezenas de milhares de pessoas seguem desaparecidas. Com o passar dos dias, fica cada vez mais difícil encontrar alimentos e água nos mercados do estado de La Guaira, próximo a Caracas, uma das áreas mais devastadas.

Durante sete dias, equipes de resgate de vários países trabalharam sem interrupção. De acordo com o coordenador da ONU na Venezuela, Gianluca Rampolla Del Tindaro, 27 países enviaram cerca de 40 equipes, totalizando “mais de 2.000 pessoas”. Com o passar do tempo, no entanto, as operações deixaram de priorizar o resgate de sobreviventes e passaram a se concentrar na retirada de corpos.

A chegada das equipes foi dificultada por danos à infraestrutura. Aeroportos afetados, voos cancelados e estradas danificadas atrasaram as operações. “Percorremos muitos quilômetros. Queríamos trabalhar, queríamos fazer algo. Queremos ajudar, mas sabemos que nossa presença aqui será limitada. O objetivo é agir o mais rápido possível”, afirma um socorrista.

Após a retirada de um corpo por médicos legistas venezuelanos, um novo sinal reacende brevemente a esperança. Um “C” pintado com spray na fachada do edifício indica a possibilidade de haver sobreviventes.

Desde o duplo terremoto, 6.461 pessoas foram resgatadas, segundo o presidente da Assembleia Nacional. Ainda assim, de acordo com a ONU, cerca de 50.000 pessoas seguem desaparecidas. Nesse ritmo, a localização e a recuperação dos corpos podem levar várias semanas.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou hoje uma semana de luto nacional pelo duplo terremoto. “A alma da Venezuela está dilacerada pelas perdas humanas causadas pelos terremotos devastadores. (…) Em homenagem à memória das vítimas, decidi declarar sete (7) dias de Luto Nacional, a partir das 18h00 de hoje”, escreveu Rodríguez em sua conta no Telegram.

Ao menos dois brasileiros morreram após os fortes terremotos. Em nota, o Itamaraty lamentou as mortes e informou que as vítimas eram um homem e uma mulher.

O homem é Romildo Batista de Lima, 69, morador de Uberlândia (MG). Ele morreu na última quarta-feira (24) quando uma parede desabou sobre ele durante viagem à Venezuela. Ele estava no país desde abril com a esposa, que é venezuelana e visitava a família. Além disso, o pastor aproveitava para comemorar seu aniversário, que foi no dia 21.

A outra vítima brasileira é Vanessa Zacarias da Silva, 44, que morava no Distrito Federal. “Infelizmente uma fatalidade ocasionada pelos terremotos na Venezuela, mais precisamente na zona costeira de La Guaira, tirou essa pessoa maravilhosa do nosso meio”, disse o irmão dela, Thiago Nogueira.

O primeiro tremor, de magnitude 7,2, atingiu San Felipe, a oeste de Caracas na quarta-feira. Dados do USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) sugerem que ele pode ter aumentado a tensão em outra falha geológica próxima, a pouco mais de 5 km de distância.

Isso desencadeou um segundo terremoto de magnitude 7,5, apenas 39 segundos depois. O evento ocorreu a uma profundidade relativamente rasa e foi sentido até mesmo no norte do Brasil.

O primeiro abalo já havia enfraquecido estruturas e comprometido fundações. Já o segundo impacto, mais intenso, provocou desabamentos imediatos, sobretudo na capital, Caracas.

A extensão da destruição provocada pelos terremotos sugere que o número real de vítimas pode ser muito maior do que o registrado até agora. Para efeito de comparação, terremotos de magnitude semelhante causaram mais de 200 mil mortes no Haiti, em janeiro de 2010; 73 mil mortes na Caxemira, em outubro de 2005; e quase 53,5 mil mortes na fronteira entre Turquia e Síria, em fevereiro de 2023.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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