SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Quatro décadas depois de transformar a música brasileira com um álbum que virou símbolo de uma geração, Cazuza continua inspirando artistas dos mais diferentes estilos.
Em um momento em que sua obra volta ao centro das homenagens, a cantora Ludmilla, 31, foi uma das responsáveis por apresentar esse repertório a um novo público ao interpretar “Exagerado”, faixa-título do álbum lançado em 1986.
A releitura faz parte de Replay – Exagerado, projeto que une série documental e álbum musical para revisitar, faixa a faixa, o disco de estreia solo do cantor. Além de Ludmilla, participam nomes como Mateus Fazeno Rock, Urias, Jadsa, Johnny Hooker, Catto, Maria Beraldo, Getúlio Abelha, Raquel e Thalin.
Segundo Ludmilla, o principal desafio foi preservar a essência da composição sem deixar de imprimir sua identidade. “Para mim, o mais importante foi cantar essa obra com muito respeito e admiração, honrando a importância que ela tem para a música brasileira. Foi uma experiência muito especial poder emprestar a minha voz a uma canção tão marcante.”
Embora venha de um universo musical diferente daquele em que Cazuza construiu sua carreira, Ludmilla afirma que sempre admirou a autenticidade do cantor.
“O Cazuza é uma referência muito importante da música brasileira. Ele tinha uma capacidade rara de transformar sentimentos em canções que continuam atuais até hoje. Sempre admirei essa autenticidade dele, a coragem de se expressar sem medo. Foi o artista mais corajoso que o Brasil já teve.”
Ela acredita que a sinceridade das letras de Cazuza explica por que as canções continuam conquistando novas gerações. “As emoções continuam sendo as mesmas. Amor, saudade, intensidade… Tudo isso continua fazendo parte da vida das pessoas. O jeito de viver muda, a tecnologia muda, mas os sentimentos continuam muito parecidos.”
Idealizador e diretor do projeto, Zé Francisco Tapajós conta que a ideia nasceu da vontade de revisitar um álbum popular justamente quando o disco completava 40 anos e o nome de Cazuza voltava a ser celebrado em diferentes produções.
“Eu vinha pensando há algum tempo em regravar um disco mais popular, que falasse com um público maior. Também estamos vivendo um momento de celebrar o Cazuza, com documentários, especiais e homenagens. Achei que o Replay podia contribuir para essa corrente.”
Na montagem do elenco, o principal objetivo foi escapar das escolhas previsíveis. “O principal critério foi justamente evitar caminhos óbvios. Queríamos juntar artistas que tivessem atitude e que se sentissem representados pelo Cazuza. Ousadia foi uma palavra muito repetida durante todo o processo.”
Segundo Tapajós, essa liberdade foi fundamental para que cada participante imprimisse personalidade às releituras. “O único direcionamento acontece na escolha dos artistas. Depois disso, cada um mergulha na música e devolve aquela canção do jeito que acredita. É isso que faz as releituras soarem atuais.”
Para ele, a permanência da obra de Cazuza está diretamente ligada à coragem com que o artista encarava seus temas.
“O que mais impressiona é perceber como suas inquietações continuam contemporâneas. Nada do que ele questionava se resolveu completamente. Falava de amor, liberdade, desejo, inconformismo e identidade. Mesmo para artistas que nasceram décadas depois, essas músicas continuam parecendo escritas para o presente.”
Além do álbum disponível nas plataformas digitais, Replay – Exagerado ganhou uma série de dez episódios exibida pelo Canal Bis e pelo Globoplay, mostrando os bastidores das gravações e os encontros entre a nova geração de artistas.
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