A bioeconomia da restauração, modelo socioeconômico que transforma áreas degradadas em ativos produtivos, integrando a regeneração ecológica com o cultivo de espécies nativas, foi destaque no primeiro dia do Fórum SP Conecta: Economia Verde, Saneamento e Resiliência Hídrica, encontro em meio às comemorações do Mês do Meio Ambiente, que reuniu lideranças do setor público e privado, investidores, especialistas, representantes da academia e organizações da sociedade civil para discutir soluções, inovação e oportunidades de investimento voltadas ao desenvolvimento sustentável, à segurança hídrica e à economia verde no Estado de São Paulo.
O evento, organizado pela InvestSP, agência de promoção de investimentos vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) e pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), representa um desdobramento da Agenda SP+Verde, iniciativa do Governo do Estado voltada à promoção de políticas, projetos e investimentos alinhados à sustentabilidade, à transição ecológica e ao desenvolvimento econômico sustentável. A proposta do encontro foi ampliar o diálogo entre setor público, iniciativa privada e sociedade civil em torno de estratégias capazes de fortalecer a competitividade ambiental paulista e acelerar soluções para os desafios climáticos e de infraestrutura verde.
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A bioeconomia da restauração em São Paulo é impulsionada por iniciativas que demonstram como essa estratégia pode contribuir de forma concreta para a conservação, restauração ecológica e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis. Como exemplo de política pública, destaca-se o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), coordenado pela Fundação Florestal, entidade vinculada à Semil responsável pela gestão das Unidades de Conservação do Estado de São Paulo. O programa transforma a recuperação da Mata Atlântica em uma atividade econômica rentável. O modelo remunera produtores rurais e investidores pelo sequestro de carbono, proteção da biodiversidade e segurança hídrica.
Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal, destacou as iniciativas ativas no estado, com destaque para o Programa Estadual de Restauração e Conservação Ecológica e as ações de conservação como o PSA da Palmeira-Juçara (Pró-Juçara) e da Araucária (Pró-Araucária). De acordo com o diretor, a partir do uso responsável dos recursos naturais, a bioeconomia propõe modelos de desenvolvimento capazes de manter a floresta em pé, ao mesmo tempo em que impulsiona cadeias produtivas sustentáveis ligadas às espécies nativas da Mata Atlântica.
“A bioeconomia paulista é um setor em rápida expansão que transforma a biodiversidade e o extrativismo em negócios sustentáveis. Notamos que para garantir saídas mercadológicas rentáveis, a certificação de produtos cultivados por comunidades tradicionais é essencial, pois foca em cadeias produtivas agregando valor na origem, rastreabilidade e integrando os saberes tradicionais às exigências de sustentabilidade do mercado”, explicou Rodrigo Levkovicz.
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Devido ao atual cenário de crise climática, a Fundação Florestal passou a alinhar suas diretrizes às políticas públicas de conservação, restauração ecológica, uso sustentável dos recursos naturais e transição energética. A reestruturação administrativa tem como principais objetivos qualificar o processo de tomada de decisões, institucionalizar o conhecimento técnico, fortalecer as Unidades de Conservação (UCs) e garantir maior escala, coerência e efetividade às políticas ambientais do Estado.
Rodrigo ainda destacou a importância de integrar compras públicas com a cadeia de PSA. “Fomentamos a convergência entre o poder de compra do Estado, através das compras públicas, e a valorização econômica dos serviços ecossistêmicos. O setor público atua como um catalisador de mercado, garantindo demanda previsível para produtores e comunidades que preservam o meio ambiente. Dessa maneira, escolas e hospitais podem adquirir produtos de agricultores paulistas”, afirmou Rodrigo.
Estruturação de mercado
Os desafios para organizar e amadurecer os elos produtivos da cadeia da bioeconomia, utilizando Sistemas Agroflorestais (SAFs), foi outro tema discutido durante o painel. Valmir Ortega, fundador e CEO da Belterra Agroflorestas, startup socioambiental que atua na recuperação de áreas degradadas e pastagens improdutivas, transformando-as em florestas economicamente viáveis em biomas como a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica, explicou que a estruturação da bioeconomia em larga escala enfrenta o desafio de conectar o extrativismo comunitário e sazonal aos rigorosos padrões de consistência, rastreabilidade e volume exigidos pelas indústrias.
“Superar gargalos logísticos e de padronização exige investimentos em biotecnologia, inovação e novas rotas de financiamento. O mercado de carbono funciona como um catalisador financeiro para a bioeconomia, pois ele monetiza a conservação e a substituição de insumos fósseis por bioprodutos, gerando novas linhas de receita que viabilizam o desenvolvimento tecnológico e a operação sustentável das cadeias produtivas”, afirmou Ortega.
Conexão entre pesquisa científica acadêmica e a bioeconomia
O conhecimento acadêmico aplicado na substituição de insumos fósseis por alternativas biológicas, gerando novos modelos de negócios e sustentabilidade, é uma prática adotada na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Guilherme Wolff Bueno, professor e coordenador do Bioeconomia Lab., laboratório voltado para a bioeconomia e economia circular sediado no Câmpus de Registro, da Unesp, explica que a integração entre pesquisa e bioeconomia é fundamental, pois permite criar soluções biotecnológicas que impactam diretamente o meio ambiente e o mercado, reduzindo a emissão de carbono e otimizando a eficiência dos recursos biológicos.
“Fazemos a conexão entre a inovação tecnológica desenvolvida nas universidades com os conhecimentos tradicionais muito presentes na bioeconomia, considerada o motor de uma nova revolução industrial e sustentável”, afirmou o professor. Para ele, as universidades paulistas mantêm ambientes de inovação que ajudam a impulsionar startups. “As universidades paulistas possuem ecossistemas robustos voltados à bioeconomia, conectando a pesquisa acadêmica em biotecnologia e biodiversidade com o mercado. Elas abrigam parques tecnológicos, incubadoras de empresas e distritos de inovação que transformam ciência em soluções sustentáveis”, concluiu Bueno.
Sobre o SP Conecta
Promovido pela InvestSP em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o SP Conecta integra a Agenda SP+Verde, iniciativa do governo estadual voltada à atração de investimentos e à implementação de políticas ligadas à transição ecológica.
Ao longo de dois dias, o evento reúne representantes do poder público, da iniciativa privada, da academia e de organismos internacionais para discutir caminhos para ampliar a resiliência climática, fortalecer a segurança hídrica e consolidar São Paulo como polo de investimentos sustentáveis.






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