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Espaço Prevenir de Campinas ajuda na recuperação de dependentes

O Espaço Prevenir de Campinas foi inaugurado em abril. Graças ao novo serviço na cidade, Inês* passa uma vez por semana por atendimento psicológico, apoio que tem sido decisivo para ela não ter recaídas.

O Espaço Prevenir integra a Política Sobre Drogas do Governo do Estado de São Paulo, sob coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS), e reafirma o compromisso com a prevenção como caminho fundamental para cuidar das famílias impactadas pelo uso abusivo de substâncias psicoativas. O objetivo é fortalecer vínculos familiares e comunitários, promovendo autonomia e inclusão social.

Voltado ao atendimento de familiares e indivíduos afetados pelo transtorno por uso de substâncias, o serviço também funciona como espaço protegido de apoio e prevenção à recaída para quem já concluiu intervenções em serviços de acolhimento terapêutico e em repúblicas.

Com equipe interdisciplinar formada por assistente social, psicólogo e pedagogo, o equipamento oferece atendimentos individuais e em grupo, além de atividades socioeducativas, culturais e de lazer. A proposta é ampliar o acesso à informação, fortalecer vínculos e reduzir vulnerabilidades, com foco na autonomia e na reinserção social.

Virada com ajuda da filha

Separação dos pais, relação conturbada com a mãe e os irmãos, pai doente, tudo isso contribuiu para que Inês* começasse a consumir cocaína aos 23 anos, em Araras, em 1988. Pouco tempo depois, outras substâncias psicoativas passaram a fazer parte de sua rotina. “Quando tinha 29 anos, fiquei grávida e terminei o relacionamento depois de descobrir que ele me traiu. Quando parei de amamentar, minha família, principalmente minha mãe, se afastou de mim. Eu fiquei muito sozinha. Foi aí que, por amizade e uma sensação de fraqueza, comecei a usar, além da cocaína, o crack, que foi devastador na minha vida”, relembra.

O acúmulo de problemas a fazia afundar cada vez mais na dependência. “Eu cuidava do meu pai a cada 15 dias, e os outros 15 ele ficava na minha irmã. Enquanto ele estava na minha casa, eu me segurava, mas quando ia para a minha irmã, eu usava o dia todo. Mesmo assim, não me achava tão dependente”, conta.

A virada veio com a ajuda da filha. “Em 2022 ela me falou: ‘não está na hora de você se cuidar, mãe?’. Me enchi de coragem e falei: ‘vamos’. Fui ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Araras. Não aguentava mais. Estava pesando 50 quilos, estava acabada.” A instituição, segundo ela, a respaldou. “Fiquei por cerca de 12 meses entre os protocolos comuns de recuperação e o aprofundamento psicológico e psiquiátrico que tanto queria. Precisava entender melhor quem eu era e de onde vinham os gatilhos para a dependência. Só depois tive alta.”

Hoje, aos 61 anos, Inês* reconstruiu a própria vida em Campinas. “Tenho minha casa, meu trabalho, meu marido, meu cachorro. Faz três anos que estou sem usar qualquer tipo de substância psicoativa.” A conquista, dividida com a filha, tem um sabor especial: “Eu falei para ela: ‘não acreditava que conseguiria’. E ela respondeu: ‘eu sempre acreditei em você’.”

“O acolhimento aqui é incrível, as pessoas são maravilhosas, parece que você já as conhece há muito tempo. Em apenas um mês, fazendo uma retrospectiva, não tive mais angústia, nem aquele sentimento de solidão. Minha vida está estabilizada. Se eu soubesse que terapia era tão bom, faria desde criança e nunca teria me envolvido com drogas.”

Atendimento

A unidade está localizada na Rua Doutor Antônio Álvares Lobo, no bairro Botafogo, e tem capacidade para atender até 200 pessoas por mês, com acompanhamento técnico especializado.

O serviço funciona de portas abertas ao público de terça a sexta-feira, das 12h às 21h, e aos sábados, das 8h às 17h. O atendimento é gratuito e não exige agendamento prévio.

Há 13 unidades no estado de São Paulo entre os municípios de Bauru, Campinas, Carapicuíba, Franca, Guarulhos, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Vicente e quatro na capital paulista.

*Nome fictício para preservar a identidade da entrevistada.

Fonte: agenciaSP

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