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Caixa pede ao governo federal criação de três diretorias e 52 cargos de médio escalão

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Caixa Econômica Federal pediu autorização do governo federal para criar três novas diretorias, 13 superintendências nacionais e 39 gerências nacionais, todos cargos de alto e médio escalão, ao custo anual de cerca de R$ 60 milhões.

O pedido de reestruturação foi aprovado pelo conselho de administração do banco em março e enviado para análise da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, vinculada ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.

Procurado pela reportagem, o banco confirmou a existência da proposta, mas não quis informar quais são as três novas diretorias nem a quais vice-presidências elas estarão ligadas, em caso de aval do ministério.

A estatal também não detalhou a justificativa para o aumento de cargos ou o custo associado à criação dessas novas estruturas. A reportagem apurou que o valor pode chegar a R$ 4,5 milhões por mês.

A ampliação do número de diretores é uma reivindicação antiga da cúpula da Caixa. O banco tem hoje 26 diretorias-executivas ligadas a 12 vice-presidências, além de duas diretorias subordinadas diretamente à presidência e ao conselho de administração -número similar ao do Banco do Brasil, que conta com 27 diretorias e nove vice-presidências.

Em nota, a Caixa disse que a reestruturação aprovada pelo conselho de administração é compatível com o porte atual da instituição e integra um processo de reorganização.

“A Caixa esclarece que a proposta integra um amplo movimento de modernização e transformação organizacional da instituição, alinhado à sua estratégia corporativa, com foco no aprimoramento da governança, maior clareza de papéis, integração entre negócio e tecnologia e ganho de eficiência operacional”, afirmou o banco.

“Com isso, a estrutura da matriz da Caixa estará compatível com a complexidade e o porte atual do banco, contribuindo com o alcance das metas estratégicas e operacionais da instituição. Trata-se de um redesenho qualitativo da estrutura, orientado por diagnóstico técnico, que busca fortalecer capacidades estratégicas, aprimorar a tomada de decisão e ampliar a geração de valor para o banco e para a sociedade.”

Segundo a Caixa, a iniciativa está em tramitação e depende da conclusão dos ritos de governança. O banco tem até o fim do mês para tentar obter a aprovação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, uma vez que a lei eleitoral proíbe reestruturações dessa natureza a menos de três meses do pleito -o chamado período de defeso eleitoral.

O tema ainda está sob análise da área técnica do Ministério da Gestão e não tem prazo para resposta final.

Funcionários do banco ouvidos sob reserva veem com desconfiança a criação dos cargos, sobretudo diante da proximidade com as eleições. Dizem, ainda, que a reestruturação vai na contramão do que ocorre na ponta, com o fechamento de agências bancárias -256 a menos entre janeiro do ano passado e março deste ano.

Apesar disso, a cúpula da Caixa nega haver motivação política na medida e diz que as 55 vagas, incluindo as três de diretor, devem ser obrigatoriamente ocupadas por servidores de carreira do banco, após processo seletivo interno.
Auxiliares do presidente da Caixa, Carlos Vieira, também têm afirmado que a instituição passa pelo que chamam de “revolução tecnológica”, que exige mudanças internas. Uma diretoria-executiva de Segurança Digital, ligada à vice-presidência de Tecnologia e Digital, foi criada em 2025.

Vieira foi indicado para a presidência da Caixa pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) no fim de 2023. Desde então, os cargos do banco e das empresas subsidiárias têm sido divididos entre partidos do centrão e da direita, como PP, Republicanos e PL.

A empresa não divulga os salários, mas funcionários afirmam que diretores e superintendentes nacionais ganham hoje valores parecidos, cerca de R$ 47 mil mensais. Um gerente-nacional, por sua vez, recebe aproximadamente R$ 41 mil por mês.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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