A princesa tailandesa Bajrakitiyabha Mahidol, advogada e filha mais velha do rei Maha Vajiralongkorn, morreu aos 47 anos, anunciou nesta sexta-feira (12) o Gabinete da Casa Real.
Bajrakitiyabha Mahidol morreu na noite de quinta-feira em um hospital de Bangcoc, onde estava internada desde que perdeu a consciência devido a uma doença, há três anos, segundo o comunicado oficial.
A princesa era atuante em projetos de reforma do sistema de justiça e ficou conhecida principalmente pelo programa Kamlangjai, ou “Inspire”, voltado ao apoio da reabilitação de mulheres detidas antes de serem libertadas.
Ela foi hospitalizada em dezembro de 2022 após desmaiar enquanto treinava cães para uma apresentação militar. O palácio informou que ela sofreu uma infecção por micoplasma, uma bactéria geralmente associada à pneumonia.
O cartão de felicitações de Ano Novo de 2023 do rei mostrava Maha Vajiralongkorn e a rainha Suthida vestidos de preto, o que foi interpretado por muitos tailandeses como um sinal da gravidade do estado de saúde da princesa. As informações limitadas divulgadas nos anos seguintes indicavam uma piora progressiva de seu quadro.
Nascida em 7 de dezembro de 1978, Bajrakitiyabha era filha de Vajiralongkorn, então príncipe herdeiro, e da princesa Soamsawali. O rei tem sete filhos com três das quatro mulheres com quem foi casado. Ela também era conhecida pelo nome oficial Bajrakitiyabha Narendira Debyavati, usado em contextos estatais.
O príncipe Dipangkorn Rasmijoti, o filho mais novo do rei, é o provável herdeiro do trono, já que a sucessão na Tailândia privilegia os filhos homens. No entanto, a experiência de Bajrakitiyabha no serviço público levou a especulações de que ela poderia desempenhar um papel importante em uma eventual sucessão, possivelmente como regente de um monarca jovem.
A princesa estudou Direito na Universidade Thammasat e depois na Universidade Cornell, nos Estados Unidos, onde concluiu mestrado em Direito em 2002 e doutorado em 2005, com uma tese sobre a proteção dos direitos dos acusados. Posteriormente, foram criadas bolsas de estudo e programas de intercâmbio em seu nome entre a Tailândia e Cornell.
Após um breve período na Missão da Tailândia na ONU, em Nova York, retornou ao país e atuou como promotora. Mais tarde, retomou a carreira diplomática ao ser nomeada embaixadora da Tailândia na Áustria, entre 2012 e 2014, antes de voltar novamente ao país para atuar em temas de justiça criminal. Em 2017, foi nomeada embaixadora da Boa Vontade do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime.
Além de seu trabalho na reabilitação de mulheres presas, participou de projetos voltados à melhoria das condições de vida de detentas e ao combate à violência contra mulheres, também como embaixadora da ONU Mulheres.
Suas iniciativas contribuíram para que a Assembleia Geral da ONU adotasse as chamadas “Regras de Bangcoc”, voltadas aos cuidados e às condições de mulheres presas.
“A sociedade não pode crescer se houver instabilidade e injustiça”, afirmou Bajrakitiyabha em uma entrevista em 2013 à Associated Press.
“Sem Estado de direito, sem um bom sistema de justiça, há sempre caos. Acredito que o Estado de direito é um pilar muito importante para o desenvolvimento, para o crescimento econômico e, claro, para os direitos humanos”, acrescentou.
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