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Dia dos Namorados: especialistas do Iamspe explicam como acontece o ‘frio na barriga’

Neste Dia dos Namorados, especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo explicam como a química do cérebro dita as fases do amor. O encontro com a pessoa amada libera hormônios, neurotransmissores e neuromoduladores, que juntos podem despertar o sentimento de vício na fase inicial da paixão até a segurança do amor duradouro. Essas substâncias também estão por trás das sensações físicas “frio na barriga” e agitação.

No início do relacionamento amoroso, a paixão é avassaladora. O sentimento é impulsionado pelos neuromoduladores noradrenalina e dopamina. Enquanto a primeira se encarrega das reações físicas, elevando o estado de alerta, reduzindo o apetite e tirando o sono, a segunda atua como o motor do desejo, gerando a busca incessante pela pessoa amada e uma antecipação prazerosa por mensagens ou reencontros.

O psiquiatra do Iamspe, Michel Haddad, explica que o encontro com a pessoa amada aumenta a descarga dos neuromoduladores, intensificando o sentimento e as sensações físicas. “A dopamina ativa o circuito de recompensa, o mesmo envolvido em comportamentos de dependência. Essa relação explica o porquê de a paixão inicial parecer um vício”, pontua Haddad. Também nessa mesma fase, a redução da serotonina estimula padrões obsessivos, justificando a fixação e a dificuldade de tirar o outro da cabeça.

Com o passar do tempo, o impacto dessa descarga química se torna menos intenso. O sentimento da paixão abre espaço para o sistema do apego. Nessa fase, é comum a confusão do declínio da euforia com o fim do amor, mas é exatamente aí que entra em cena a fase do “amor”, quando os hormônios ocitocina e vasopressina são liberados. Eles são responsáveis por produzir sentimentos de proteção e confiança. Paralelamente, as endorfinas, que são neuromoduladores, começam a atuar em relações duradouras e estáveis, trazendo conforto e o sentimento de calmaria.

“O amor protege o corpo quando oferece segurança, pois diminui o estresse, além de melhorar a regulação do cortisol, a qualidade do sono e até o controle de parâmetros cardiovasculares, como a pressão arterial. Mas há uma ressalva fundamental: isso só vale para as relações que acalmam. Vínculos marcados por ciúme intenso, insegurança crônica e ansiedade permanente produzem o efeito oposto, elevam o nervosismo, podendo adoecer o organismo”, alerta o psiquiatra.

Para os casais que desejam aproveitar o Dia dos Namorados, o ideal é apostar em ações que reforcem o sentimento de proximidade, alimentado pela constância de comportamentos acolhedores, como o toque frequente, abraços longos, contato visual e escuta ativa. Já para aqueles que desejam reacender a paixão, a orientação é realizar atividades que saiam da rotina, isto é, planejar viagens para lugares desconhecidos ou realizar atividades inéditas a dois que gerem um “frio na barriga”.

“O vínculo se constrói na repetição, mas a paixão se reacende na surpresa. O equilíbrio entre segurança e novidade é uma das chaves de uma relação madura”, conclui.

Fonte: agenciaSP

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