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Delcy pode acabar como Maduro, diz María Corina

(FOLHAPRESS) – A opositora venezuelana María Corina Machado afirmou nesta segunda-feira (1º) que a líder interina do país, Delcy Rodríguez “pode acabar como Nicolás Maduro ou pode facilitar a transição”.

Em entrevista à Folha em Oslo, capital da Noruega, Corina pressionou Delcy a aceitar o processo iniciado com a captura de Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro. “Essa é uma situação ganha-ganha. Em termos de segurança, de paz, energia, migração. Uma transição ordenada na democracia venezuelana é o que todos querem e é até a melhor oportunidade que Delcy Rodríguez tem agora”, afirmou.

A ganhadora do Nobel da Paz também tem aumentado a pressão sobre o governo de Donald Trump para que sejam marcadas novas eleições na Venezuela e confirmou que vai disputar o pleito. O ex-candidato opositor Edmundo González, que assumiu a candidatura após Corina ter sido impedida pelo regime de concorrer nas urnas, manifestou apoio à aliada.

Questionada sobre o comprometimento dos EUA com o processo, já que Trump tem elogiado a gestão de Delcy, Corina respondeu que tem, sim, o apoio de Washington e recordou um plano de três fases apresentado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

“A primeira fase foi a estabilização e ele disse recentemente que foi completada. 

A segunda é a recuperação, e a terceira é a transição para a democracia. Essas duas últimas podem se sobrepor.”

No passado, pouco após a captura de Maduro, Trump disse que “seria muito difícil” que Corina assumisse a liderança da Venezuela por que ela “não conta com apoio nem respeito dentro de seu país”.

Já sobre uma data para as eleições, sem definição, Corina reforçou a cobrança. 

“A expectativa e o desespero na Venezuela estão crescendo muito rápido. A situação econômica é horrível, as pessoas passam fome, as aposentadorias são menos de 1 dólar por mês”, disse. “As pessoas estão ficando mais animadas porque sabem que vão ter um processo eleitoral, e eu prefiro que isso seja canalizado de forma pacífica e cívica. Por isso penso que é muito importante marcar uma data para as eleições”, afirmou.

Atualmente exilada no Panamá, a opositora ainda fez um desafio a Delcy ao afirmar que, ao participar de uma eleição, a líder interina poderia provar que “que está disposta a ajudar esse processo a avançar”.

Corina está em Oslo para participar, nesta terça-feira (2), do Oslo Freedom Forum, evento de direitos humanos que reúne ativistas do mundo todo. A passagem pela capital norueguesa também faz parte da pressão por apoio junto aos Estados-membros da União Europeia.

No mês passado, ela visitou Itália, Espanha e Portugal. “A Europa está ao nosso lado, e não apenas agora, ao longo deste processo. Estou muito grata ao Parlamento Europeu e a muitos governos”. Segundo ela, este e um momento em que a atenção é mais necessária do que nunca.

“As coisas estão a avançar na Venezuela. O regime está tomando decisões para desmantelar a sua própria estrutura repressiva e de corrupção, mas se não sentirem a pressão, se as pessoas ignorarem, voltarão a fazer o que costumavam fazer”, disse.

Segundo Corina, mais de 600 presos políticos foram libertados desde janeiro. 

“Estamos vendo sindicatos, trabalhadores, professores, mães e estudantes voltando às ruas. Os meus colegas de diferentes partidos políticos que estavam escondidos ou a viver no exílio estão voltando. Portanto, as coisas estão avançando mais rapidamente na Venezuela do que pode parecer visto de fora.”

Melissa Casias, funcionária do Laboratório Nacional de Los Alamos, estava desaparecida desde junho de 2025. O caso ganhou repercussão após ser associado a uma série de mortes e desaparecimentos de cientistas nos Estados Unidos, mas as circunstâncias da morte ainda são investigadas

Notícias ao Minuto | 06:25 – 02/06/2026

Fonte: Notícias ao Minuto

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