As ações realizadas pelas polícias Civil e Militar têm contribuído para desarticular quadrilhas especializadas em roubos a farmácias em São Paulo. No primeiro trimestre deste ano, os assaltos a esses estabelecimentos caíram 41% na comparação com o mesmo período de 2023, segundo a Secretaria da Segurança Pública.
O recuo é resultado de uma atuação que combina presença ostensiva nos corredores comerciais com o uso de inteligência para identificar os grupos responsáveis pelos crimes nessa modalidade.
De acordo com a estimativa realizada pela pasta, entre janeiro e março deste ano aconteceram 97 roubos a farmácias em São Paulo. No mesmo período de 2023, houve 165 delitos. Nos anos seguintes as quedas permaneceram: em 2024, foram 104 e, no ano passado, 99 registros de roubos na capital paulista.
“A integração entre as duas forças, com compartilhamento de informações em tempo real, permitiu encurtar o ciclo entre a identificação de um grupo em atuação e sua efetiva neutralização, fator determinante para reduzir a reincidência nesse tipo de crime”, afirmou o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves.
A Polícia Militar intensificou o patrulhamento nos horários de maior vulnerabilidade, enquanto a Polícia Civil concentrou esforços na investigação dos casos para chegar às estruturas por trás das ocorrências, e não apenas aos executores.
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“Temos direcionado o efetivo para áreas críticas mapeadas pelo nosso setor de inteligência. Assim, conseguimos atuar de forma mais rápida, prevenir novas ocorrências e aumentar as chances de prisão em flagrante”, explica o coronel Alexandre Vilariço, da Polícia Militar.
Neste ano, ao menos 24 envolvidos foram detidos e mais de 470 caixas de remédios foram apreendidas, o que evidencia o reforço no combate a esse tipo de crime na capital paulista.
Em abril, por exemplo, dois homens foram presos e dois adolescentes apreendidos ao tentarem fugir com 54 caixas de canetas emagrecedoras roubadas de uma farmácia em Pirituba, na zona norte da capital. A ação foi impedida com a chegada da Polícia Militar, acionada pelo 190 por uma funcionária que havia sido rendida durante o assalto.
Em outra ocorrência, uma dupla foi detida na saída de uma farmácia na avenida Giovanni Gronchi, na zona sul de São Paulo. Os suspeitos roubaram 60 canetas emagrecedoras e ampolas de insulina, avaliadas em R$ 22 mil. Os medicamentos foram devolvidos ao estabelecimento.
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Organizações criminosas
A Polícia Civil atua na investigação dos casos, com a instauração de inquéritos policiais para identificar e responsabilizar os envolvidos. O trabalho também busca apurar a possível existência de organizações criminosas por trás dos roubos, além de rastrear a destinação dos medicamentos subtraídos.
Um desses grupos foi desarticulado durante a Operação Drugstore na capital paulista, realizada por policiais do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas). A ação terminou com seis presos, sendo que dois envolvidos já cumpriam pena por outros crimes no sistema prisional.
As investigações revelaram que o bando atuava de forma organizada, com divisão de tarefas, planejamento prévio dos roubos, partilha dos lucros e estratégias para comercialização dos medicamentos subtraídos.
“O preço elevado desses medicamentos, aliado à crescente demanda de pessoas que buscam adquiri-los no mercado paralelo, fomenta o aumento dessa modalidade criminosa. Diante desse cenário, a Polícia Civil atua de forma intensa na repressão desses delitos, tendo em vista que os criminosos agem com violência, colocando em risco funcionários e clientes que se encontram no local”, disse o delegado titular do 42º DP, Alexandre Bento.
O trabalho policial é realizado com o emprego de ferramentas de inteligência, análise de câmeras de segurança e reconhecimento fotográfico e presencial de suspeitos. Por meio de imagens de monitoramento do programa Muralha Paulista, a polícia consegue identificar veículos utilizados nos roubos, mesmo quando há troca de placas.
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“Além disso, por meio da análise das redes sociais, torna-se possível identificar receptadores e revendedores desses medicamentos, contribuindo para o combate a essa prática ilegal”, complementa o delegado.
Ao longo de 2025, as ações das polícias Militar e Civil permitiram a prisão de 92 suspeitos e a apreensão de 17 adolescentes envolvidos em furtos e roubos de farmácias. Foram recuperados R$ 1,3 milhão em medicamentos.
Venda irregular de medicamentos
A Divisão de Investigações sobre Infrações contra a Saúde Pública (DPPC) trabalha de forma contínua no combate à venda irregular de canetas emagrecedoras e outros remédios de alto custo na cidade de São Paulo. As ações miram produtos vendidos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável pela fiscalização da procedência legal dos itens.
Em fevereiro, mais de 80 mil ampolas e frascos de medicamentos para emagrecimento foram apreendidos em uma farmácia de manipulação que produzia ilegalmente essas substâncias em Santo André, na região metropolitana da capital. Um homem foi preso em flagrante.






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