O combate aos incêndios em áreas de vegetação em São Paulo ganha um novo eixo estratégico: o próprio território onde o fogo começa. Em uma medida inédita, o Governo do Estado passa a equipar diretamente produtores rurais de assentamentos com kits completos de combate a incêndios, consolidando uma mudança de paradigma na atuação preventiva no campo.
A iniciativa será formalizada por resolução conjunta da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, assinada pelos respectivos secretários na próxima terça-feira (27), durante a abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto, vitrine internacional do agronegócio brasileiro.
A ação insere, de forma estruturada, os assentamentos rurais na estratégia estadual de enfrentamento ao fogo. Mais do que ampliar o alcance das políticas públicas, a medida reconhece o papel desses produtores como agentes ativos na proteção ambiental e na defesa de suas próprias comunidades.
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Esse movimento não começa do zero. Nos últimos meses, moradores de assentamentos já vêm sendo capacitados pela Operação SP Sem Fogo para atuação em ocorrências de incêndio. Agora, o Estado dá o passo seguinte: além do treinamento, passa a garantir os meios para a atuação em campo.
Os kits estiagem reúnem equipamentos de proteção individual, como óculos, luvas, capacetes e lanternas, e ferramentas essenciais para o combate direto às chamas, como abafadores, bombas costais, sopradores e facões. Trata-se de uma estrutura decisiva para conter focos ainda no início, evitando que se transformem em incêndios de grandes proporções.
A política é direcionada a assentamentos reconhecidos pela Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que atua na identificação, acompanhamento e apoio técnico a essas comunidades.
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A entrega dos kits está condicionada à capacitação prévia dos moradores e à solicitação formal por parte dos municípios, garantindo não apenas a distribuição dos equipamentos, mas o uso responsável, técnico e seguro. A articulação com as prefeituras segue como eixo central da estratégia, reforçando a atuação integrada entre Estado e municípios.
“A iniciativa reforça a atuação integrada do Estado, ampliando a capacidade de prevenção e resposta nos territórios mais vulneráveis e fortalecendo o papel das comunidades rurais na proteção ambiental e na segurança da população”, afirma o Coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, Coronel PM Rinaldo de Araujo Monteiro.
Durante a Agrishow, a Defesa Civil do Estado também manterá equipes no local para atendimento ao público, com agentes orientando produtores e visitantes sobre as condições meteorológicas previstas para o período de estiagem e medidas de prevenção, com foco na Operação SP Sem Fogo 2026, que tem início em 1º de junho em todo o território paulista. No espaço, produtores rurais poderão ainda cadastrar seus e-mails para receber os boletins meteorológicos elaborados pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Defesa Civil estadual.

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Com a medida, o Governo de São Paulo antecipa a resposta, descentraliza a atuação e encurta o tempo entre o surgimento do foco e a primeira intervenção — fator determinante para evitar a propagação do fogo.
“Os assentamentos paulistas produzem, geram renda e ocupam papel relevante no desenvolvimento regional. Integrá-los de forma efetiva à política de prevenção e combate aos incêndios é reconhecer a força dessas comunidades e garantir que tenham estrutura para proteger suas famílias, sua produção e o meio ambiente”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.
Na prática, a nova resolução leva estrutura onde antes havia apenas vulnerabilidade e transforma comunidades inteiras em pontos ativos de defesa. Um movimento que reposiciona o papel do Estado no campo: mais integrado, mais próximo e mais efetivo diante de um dos principais desafios ambientais do período seco.







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