Uma menina de 12 anos procurou abrigo em um restaurante depois de perceber que estava sendo perseguida por um homem enquanto voltava para casa após uma aula de catequese. O caso aconteceu na terça-feira (15), no bairro São Cristóvão, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Um homem de 48 anos foi preso em flagrante.
Segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), o suspeito passou a acompanhar a adolescente por diferentes trechos do caminho e tentou chamar sua atenção diversas vezes. De acordo com o relato repassado aos investigadores, ele a chamou de “filha” e disse “espera aí”.
Com medo, a menina entrou em um restaurante da região e pediu ajuda. Ela conseguiu acesso à internet no estabelecimento e telefonou para a mãe. Os pais foram ao local e, depois, localizaram o suspeito nas proximidades de uma residência. A Polícia Militar foi acionada e efetuou a prisão.
O que o suspeito disse à polícia?
Durante o interrogatório, o homem negou ter perseguido a adolescente e afirmou que tudo não passava de um “mal-entendido”.
Segundo o delegado Regis Francisco Palombo, o suspeito declarou que estava falando ao telefone com a noiva quando a menina passou correndo e que as expressões “filha” e “espera aí” teriam sido dirigidas à mulher.
A versão, porém, apresentou contradições, de acordo com a Polícia Civil. Questionado sobre o celular que teria usado na ligação, o homem descreveu um aparelho de marca diferente daquele apreendido pela Polícia Militar. Ao ser confrontado, teria ficado nervoso e apresentado novas versões, entre elas a de que teria usado o telefone da própria noiva e a de que possuía outros aparelhos em casa.
Por qual crime o homem foi autuado?
A Polícia Civil autuou o suspeito pelo crime de perseguição, conhecido também como stalking, na forma majorada.
O crime está previsto no artigo 147-A do Código Penal e consiste em perseguir alguém reiteradamente, ameaçando sua integridade física ou psicológica, restringindo sua locomoção ou perturbando sua liberdade ou privacidade. A pena prevista é de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa, e pode ser aumentada pela metade quando a vítima é criança ou adolescente.
No caso de Cascavel, a PCPR informou ter enquadrado o homem por perseguição majorada, levando em consideração as circunstâncias envolvendo a adolescente.
Polícia pediu prisão preventiva
A Polícia Civil também informou que o suspeito possui registros anteriores envolvendo violência doméstica contra familiares, embriaguez ao volante, resistência, desacato e perturbação da ordem pública, inclusive em uma ocorrência envolvendo simulacro de arma de fogo.
Diante do histórico e das circunstâncias do caso, o delegado pediu à Justiça a conversão da prisão em flagrante em preventiva e solicitou medidas protetivas de urgência para a adolescente. O homem foi encaminhado à carceragem pública e ficou à disposição do Poder Judiciário.
Menina ainda será ouvida com acompanhamento especializado
A adolescente não foi ouvida formalmente logo após o caso. Segundo o delegado, a medida segue os protocolos destinados ao atendimento de vítimas menores de idade, que preveem acompanhamento especializado para evitar exposição ou revitimização.






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