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Primeiro-ministro da Suécia anuncia renúncia após vitória da centro-esquerda em eleições

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, anunciou sua renúncia após perder as eleições parlamentares do país, nesta quinta-feira (17), com a divulgação formal da contagem final dos votos.

Os partidos de oposição de centro-esquerda conquistaram 176 cadeiras no Parlamento na votação de domingo (13), enquanto o bloco governista de direita de Kristersson obteve 173 cadeiras, informou mais cedo a autoridade eleitoral, após o fim da apuração.

“Agora caberá ao líder do Parlamento conduzir a próxima etapa do caminho para a formação de um novo governo. Por meio desta, solicito ser dispensado do cargo de primeiro-ministro para que esse trabalho possa começar imediatamente”, disse Kristersson em uma carta publicada na rede social X.

O resultado eleitoral abre caminho para uma mudança de governo, com a líder do Partido Social-Democrata, Magdalena Andersson, cotada para retornar ao cargo de primeira-ministra após quatro anos na oposição.

Andersson prometeu formar um governo que faça a “Suécia avançar”. “O povo sueco escolheu uma nova direção para o nosso país. Votou pela coesão e contra a divisão. O povo sueco votou para fazer a Suécia avançar. E eu quero concretizar essa nova direção”, declarou, em um vídeo divulgado nas redes sociais, acrescentando: “agora é uma nova era”.

As eleições também apresentaram uma surpresa para o partido de extrema direita Democratas da Suécia (SD, na sigla original), que perdeu terreno pela primeira vez desde que entrou no Parlamento há 16 anos, ao contrário do que aconteceu nas votações recentes para este tipo de legenda no restante da Europa.

Todos os votos para o Parlamento, composto por 349 cadeiras, já foram contabilizados, embora o resultado ainda dependa de certificação formal nos próximos dias.

Apenas 50 mil votos separaram os quatro partidos do bloco de esquerda, liderados pelos social-democratas de Andersson, do bloco de direita de Kristersson.

Primeira mulher a governar a Suécia (2021-2022) e ministra das Finanças durante sete anos, a líder social-democrata de 59 anos tem reputação de tecnocrata implacável, com um estilo direto e sem rodeios.

Para a centro-esquerda, a vitória pode ser apenas o primeiro passo de um longo processo para formar um novo governo.

Seu principal obstáculo será conciliar as divergências entre o Partido de Esquerda e o Partido de Centro -de tendência liberal-, que se opõe a que a primeira legenda obtenha pastas ministeriais.

As negociações podem se prolongar por semanas, e, caso Andersson fracasse, o bloco de direita terá a oportunidade de tentar formar uma maioria.

O Parlamento não nomeará, antes de 29 de setembro, um novo primeiro-ministro encarregado de negociar a formação de um governo. Após as eleições de 2022, foram necessários 37 dias para formar um governo; após o pleito de 2018, foram 134 dias.

Ao longo da campanha, o bloco de direita prometeu avançar em uma política de combate à criminalidade, ao mesmo tempo em que queria endurecer as medidas na área de imigração. Mas o lema, que permitiu sua chegada ao poder em 2022, teve dificuldades para gerar o mesmo entusiasmo desta vez.

“A questão migratória era mais importante em 2015 e 2016, agora há muitos partidos que defendem políticas rígidas, e os Democratas da Suécia não conseguiram se consolidar em outros temas”, avalia a cientista política Annika Freden, da Universidade de Lund.

Já a centro-esquerda anunciou a intenção de aumentar os impostos sobre os bancos e sobre as rendas mais elevadas para investir em saúde e educação, além de uma proposta de apoio financeiro às famílias.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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