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Portugal pode virar porta de entrada do Brasil na UE após acordo

Portugal pode assumir um papel estratégico como porta de entrada de empresas brasileiras na União Europeia após o início da aplicação do acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul. A avaliação é do presidente do Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE), Vitalino Canas, que vê o país em posição privilegiada para aproximar a maior economia sul-americana do mercado europeu.

“Portugal aqui pode ganhar uma posição particularmente relevante como ponto entre a União Europeia e o Brasil, sendo o Brasil a maior economia do Mercosul”, afirmou Canas à agência Lusa.

Segundo ele, fatores como idioma, proximidade cultural, relações históricas e localização podem estimular empresas brasileiras a utilizar Portugal como plataforma para expandir negócios dentro da União Europeia.

A avaliação ocorre quatro meses depois do início da aplicação provisória do Acordo Interino de Comércio entre União Europeia e Mercosul. Assinado em 17 de janeiro de 2026, em Assunção, no Paraguai, o acordo comercial começou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio entre a UE e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Acordo UE-Mercosul pode beneficiar produtos portugueses
Para Vitalino Canas, o novo cenário também cria oportunidades para empresas de Portugal que pretendem ampliar as vendas para o Brasil e outros países do Mercosul.

Entre os setores citados estão produtos tradicionais da pauta portuguesa, como vinho e azeite, que enfrentavam tarifas elevadas para entrar no mercado brasileiro.

“Basta visitar o Brasil e pedir um vinho num restaurante e verifica-se que os vinhos portugueses estão sempre muito caros devido à taxação que existe”, afirmou.

Canas comparou a situação com a de vinhos produzidos no Chile e na Argentina, que chegam ao consumidor brasileiro em condições diferentes devido aos acordos comerciais existentes.

As mudanças, porém, serão graduais.

“É claro que isso não vai suceder logo nos primeiros meses ou nos primeiros anos, isto vai gradualmente ter os seus impactos”, ressaltou.

A Comissão Europeia informa que a primeira redução de tarifas começou em 1º de maio. Produtos agroalimentares europeus, incluindo vinho e azeite, estão entre aqueles contemplados pelo cronograma de redução das taxas.

O que muda com o acordo entre União Europeia e Mercosul?
Quando estiver plenamente implementado, o acordo eliminará tarifas sobre mais de 91% das mercadorias exportadas pela União Europeia para os países do Mercosul.

No sentido contrário, a UE eliminará gradualmente as tarifas de importação sobre 92% das mercadorias provenientes dos quatro países sul-americanos e concederá acesso preferencial a outros 7,5% por meio de cotas e outros mecanismos.

Entre os produtos europeus beneficiados estão automóveis e autopeças, máquinas, medicamentos, produtos químicos, roupas, têxteis, vinho, azeite e outros alimentos e bebidas.

No caso de setores agrícolas considerados mais sensíveis, a abertura não será total. Parte das importações ficará sujeita a cotas e mecanismos específicos de proteção.

O acordo reúne um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado superior a US$ 22 trilhões, segundo dados do governo brasileiro.

Acordo completo ainda depende de novas etapas na Europa
Apesar de as regras comerciais já estarem sendo aplicadas provisoriamente desde maio, o processo institucional do acordo UE-Mercosul ainda não terminou.

Foram assinados dois instrumentos diferentes: o Acordo de Parceria UE-Mercosul, mais amplo, que inclui cooperação política e comércio, e o Acordo Interino de Comércio, voltado às questões comerciais enquanto o primeiro não entra plenamente em vigor.

O Acordo de Parceria ainda depende do consentimento do Parlamento Europeu e da ratificação pelos 27 Estados-membros da União Europeia.

Além disso, em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu pedir ao Tribunal de Justiça da União Europeia um parecer sobre a compatibilidade dos acordos com os tratados europeus. Entre os pontos questionados estão o processo utilizado para dividir o tratado em dois instrumentos, o mecanismo de reequilíbrio comercial e a aplicação do princípio da precaução.

O acordo também enfrenta resistência política em países europeus com forte produção agrícola, diante da competitividade de produtos provenientes do Mercosul.

Lisboa recebe fórum sobre acordo UE-Mercosul
As oportunidades e os desafios criados pelo tratado serão discutidos em Lisboa nos dias 3 e 4 de dezembro durante o Fórum Acordo Mercosul-UE: Oportunidades e Desafios, promovido pelo FIBE.

O encontro reunirá representantes do Brasil, de outros países da América do Sul e de Portugal para discutir os efeitos econômicos, jurídicos e geopolíticos da aproximação entre os dois blocos.

A programação prevê debates sobre agricultura, cadeias produtivas, recursos estratégicos, transportes, mobilidade, energia, minerais críticos, financiamento e integração dos mercados financeiros.

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Folhapress | 06:36 – 12/09/2026

Fonte: Notícias ao Minuto

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