Virginia Fonseca poderia receber o equivalente a 30% do valor perdido por apostadores atraídos por suas divulgações da Blaze, segundo uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
O modelo de remuneração é um dos principais pontos levantados pelo órgão no processo contra a influenciadora e a plataforma de apostas. Na prática, quanto maior fosse o prejuízo dos usuários que entrassem no site por meio das campanhas associadas a Virginia, maior poderia ser o valor recebido por ela.
Para o MPDFT, esse tipo de acordo cria um conflito direto entre o interesse da influenciadora e o de seus seguidores, já que o lucro da contratada estaria vinculado às perdas financeiras dos apostadores.
A ação sustenta que Virginia participou de uma estratégia de captação de consumidores baseada na proximidade construída com o público nas redes sociais. Com mais de 56 milhões de seguidores no Instagram, ela teria capacidade de apresentar apostas como parte da rotina pessoal, reduzindo a percepção de que o conteúdo tinha finalidade comercial.
Um dos episódios citados ocorreu durante a Copa do Mundo de 2026. Em 3 de julho, Virginia publicou um story afirmando estar “confiante” no goleiro Vozinha e divulgou um link para apostas na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina, pelas oitavas de final.
Segundo os promotores, a postagem não deixava claro que se tratava de publicidade e poderia ser interpretada pelos seguidores como uma aposta espontânea da influenciadora.
O Ministério Público afirma que a possibilidade de Virginia também ter apostado na partida não afasta o caráter comercial da divulgação nem reduz os riscos para os consumidores atraídos pela publicação.
A comissão de 30% sobre as perdas seria parte de um mecanismo conhecido no setor como participação na receita ou revenue share. Nesse formato, o parceiro recebe uma parcela do dinheiro que permanece com a casa de apostas depois dos resultados dos jogos.
Na avaliação do MPDFT, o sistema incentiva influenciadores a ampliar o número de apostadores e o volume de dinheiro movimentado, mesmo que isso resulte em prejuízos para os próprios seguidores.
A investigação também reuniu mais de 42 mil reclamações relacionadas à Blaze, incluindo relatos de bloqueio de contas, retenção de valores e dificuldades para sacar dinheiro.
Na ação, o Ministério Público pede indenização de pelo menos R$ 120 milhões por danos morais coletivos, além da retirada de conteúdos considerados irregulares e da proibição de campanhas que prometam ganhos fáceis ou incentivem apostas em partidas específicas.
O órgão também solicita que Virginia e a Blaze financiem ações educativas sobre os riscos do jogo, do superendividamento e da dependência em apostas.
A defesa da influenciadora afirma que tomou conhecimento do processo pela imprensa e nega qualquer atuação ilegal. Os advogados dizem confiar que os pedidos serão considerados improcedentes pela Justiça.
A empresa responsável pela Blaze no Brasil informou que ainda não foi formalmente intimada e declarou que atua de acordo com a legislação brasileira.







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