Em 12 minutos de entrevista, Carlo Ancelotti tentou transformar a eliminação do Brasil em ponto de partida. Depois da derrota para a Noruega neste domingo (5), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o técnico italiano evitou procurar culpados, defendeu suas escolhas e repetiu que a queda nas oitavas de final da Copa do Mundo não encerra seu trabalho na Seleção.
Ancelotti não falou na saída do gramado, embora a Fifa exija entrevistas dos treinadores após os jogos do Mundial. Pouco depois, apareceu na sala de imprensa e respondeu a 12 perguntas, quase todas feitas por jornalistas brasileiros.
A principal mensagem do treinador foi a de que o Brasil não fez uma partida ruim. Para ele, a Seleção teve momentos de controle, criou chances para vencer e acabou punida por não transformar as oportunidades em gol.
Sem citar nomes em tom de cobrança, o técnico lembrou os lances que poderiam ter mudado o roteiro da eliminação. Entre eles, o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães no primeiro tempo e a chance clara perdida por Endrick no início da etapa final.
“O jogo, em alguns momentos, foi bom. Tivemos oportunidades no primeiro tempo e também no segundo. As mudanças foram para dar frescor e tentar ganhar a partida”, afirmou.
Ancelotti explicou que a estratégia contra a Noruega exigia cuidado. O treinador disse que pressionar muito alto poderia facilitar o jogo dos europeus, principalmente por causa da velocidade de Erling Haaland.
“Parecia um jogo controlado. Seria muito complicado fazer uma pressão muito alta, porque isso seria bom para a velocidade do Haaland”, disse.
As entradas de Endrick e Neymar também foram justificadas pelo italiano. Segundo ele, Endrick foi acionado para atacar os espaços e dar mais profundidade ao Brasil. Neymar, por sua vez, entrou para melhorar a criação no último terço do campo.
“Endrick entrou para dar mais profundidade e teve uma oportunidade. Depois da parada, contávamos com a qualidade de Neymar no último terço”, explicou.
Um dos temas centrais da coletiva foi a escolha de Bruno Guimarães para cobrar o pênalti. Ancelotti afirmou que a decisão levou em conta estatísticas recentes, a hierarquia dos batedores e o momento dos jogadores em campo.
De acordo com o treinador, Raphinha era o melhor cobrador entre os titulares analisados no último ano. Na lista geral, Neymar, Igor Thiago, Raphinha, Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli apareciam como opções. Bruno foi escolhido porque, segundo Ancelotti, era o nome mais indicado naquele momento da partida.
“Escolhemos Bruno porque entendemos que era o melhor em campo”, declarou.
Apesar da eliminação precoce, Ancelotti disse acreditar que o Brasil tinha elenco para ir mais longe na Copa.
“O Brasil, com esse plantel, poderia competir até o final da Copa”, afirmou.
O técnico reconheceu a frustração, mas fez questão de valorizar o grupo. Disse que a Seleção fez um Mundial “bom, não espetacular” e que, contra a Noruega, poderia ter merecido a vitória.
“A experiência foi bonita. Tivemos um bom grupo. Agradeço aos jogadores, que trabalharam bem e criaram um bom ambiente. Nem tudo sai perfeito”, disse.
Com contrato renovado até 2030 antes do início da Copa, Ancelotti afastou qualquer sinal de despedida. Para ele, a derrota abre uma nova etapa no comando da Seleção Brasileira.
“Quando acontece algo assim, uma derrota é o começo de uma nova aventura. Vamos seguir trabalhando, melhorando e encontrando novas ideias. Não é o fim, é o começo de um novo ciclo. Vou seguir trabalhando por essa Seleção”, afirmou.
O treinador disse que o primeiro passo será administrar a tristeza da eliminação. Depois disso, a comissão começará a pensar no futuro de uma equipe que, segundo ele, mistura jovens, veteranos e nomes que ainda podem ganhar espaço.
“Agora temos que manejar a tristeza. Depois começamos a pensar no futuro dessa Seleção, que tem um grupo sólido, com jovens, alguns veteranos e novos jogadores que podem entrar”, completou.







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