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BC corta Selic em 0,25 ponto pela 3ª vez, para 14,25% ao ano, e mantém indefinição sobre futuro

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu nesta quarta-feira (17) a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual pela terceira vez seguida, de 14,5% para 14,25% ao ano. O colegiado fez alertas sobre o risco fiscal no país, em meio à aceleração da inflação.

A decisão do Banco Central foi tomada de forma unânime pelo presidente Gabriel Galípolo e por mais seis diretores do colegiado, que está com dois desfalques. Das oito reuniões do ano, quatro já foram realizadas com quórum reduzido.

No comunicado, o comitê manteve a indefinição sobre os próximos passos ao afirmar que a magnitude total do ciclo de queda de juros “será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.”

No entanto, demonstrou ter preferência por uma condução mais suave dos juros ao olhar de forma antecipada para o cenário do primeiro trimestre de 2028, deixando espaço para um novo corte em agosto.

O comitê iniciou o processo de flexibilização de juros em março, quando a Selic estava em 15% ao ano. Desde então, foram dois cortes na mesma dose, de 0,25 ponto percentual.

Para esta quarta, a expectativa majoritária do mercado financeiro era de outra redução de 0,25 ponto na Selic, a 14,25% ao ano. Das 34 instituições consultadas pela agência Bloomberg, somente três apostavam na manutenção de juros no patamar de 14,5% ao ano.

A diferença entre os juros dos Estados Unidos e do Brasil está em 10,5 pontos percentuais. Mais cedo, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) decidiu manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% na primeira reunião liderada por Kevin Warsh, mesmo com a pressão do presidente Donald Trump por uma drástica redução da taxa.

Apesar da perspectiva mais favorável com o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para reabrir o estreito de Hormuz, o cenário ainda é de instabilidade. Segundo Trump, os bombardeios no Oriente Médio podem ser retomados. Para o comitê, o ambiente externo permanece incerto diante da indefinição sobre os termos do acordo para cessar o conflito no Oriente Médio.
“Antes do acordo iraniano, alguns analistas acreditavam na possibilidade de manutenção [da taxa] já nesta reunião ou uma sinalização clara de pausa no ciclo”, afirmou Rafael Ihara, economista-chefe da Meraki Capital.

Além das tensões no campo geopolítico, o Copom abordou o risco fiscal e demonstrou incômodo com a piora nas expectativas de inflação, que se afastaram ainda mais da meta.

O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de avaliação contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora deste intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).

O Copom disse que a manutenção dos juros altos por um longo período ajudou a esfriar a economia. No entanto, mencionou que os indicadores mostraram aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano e sinais de resiliência do mercado de trabalho.

“O comitê reconheceu que a atividade econômica e a inflação estão acelerando, e suas projeções se afastaram ainda mais da meta de 3%”, afirmou Caio Megale, economista-chefe da XP.

Nas últimas semanas, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou uma série de medidas fiscais e parafiscais, com potencial para impulsionar o consumo das famílias.

O “pacote de bondades” inclui o novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas, além de aumento em linhas de crédito para pessoas físicas (caminhoneiros, taxistas, motoristas de aplicativos) e empresas de diferentes setores, como habitação e agronegócio.

Segundo economistas, a forte expansão fiscal explica em grande medida a reaceleração da demanda e vai na contramão do trabalho do BC para controlar a inflação.

Uma das novidades do comunicado foi a inclusão do risco fiscal entre os fatores do balanço que poderiam puxar os preços para cima. No texto, o Copom mencionou que “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo” enfraquecem os canais de transmissão da política monetária.

Em outras palavras, o Copom alertou que novos estímulos fiscais podem atrapalhar o processo de queda da Selic. O comitê disse também que segue acompanhando os impactos da questão fiscal sobre a política de juros e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.

“Os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026”, disse.

Outra preocupação no balanço de riscos para a inflação foi o risco do El Niño sobre a produtividade agrícola e os custos de energia.

Para o colegiado do BC, o cenário doméstico continua marcado por projeções de inflação elevadas, expectativas distantes da meta e pressões no mercado de trabalho.

No cenário de referência do Copom, a estimativa de inflação para este ano subiu de 4,6% para 5,2%. Para 2027, a projeção subiu de 3,5% para 3,7%.

Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o comitê tinha na mira nesta quarta a inflação esperada para o último trimestre de 2027. No entanto, o colegiado do BC disse no comunicado ter optado por uma trajetória alternativa, com uma condução dos juros mais suave, buscando garantir a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028.

Esse período já passaria a ser o alvo oficial do Copom nas decisões tomadas a partir do próximo encontro, previsto para 4 e 5 de agosto. O comitê sugeriu então que, se mantivesse os juros em patamar necessário para levar a inflação à meta ao término de 2027, eles acabariam derrubando o índice para um patamar abaixo do alvo no primeiro trimestre de 2028 -sem dizer quanto exatamente.

O Copom ponderou que a avaliação projetada em seus modelos está sujeita a incertezas acima das usuais. “Essas incertezas se somam ao cenário de choques de oferta, o que fundamenta a graduação, ao menos parcial, de seus efeitos sobre a dinâmica futura de preços”, acrescentou.

Na semana passada, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou a 4,72% no acumulado de 12 meses até maio e ultrapassou o teto da meta de inflação perseguida pelo BC, o que não ocorria desde outubro do ano passado.

Conforme os dados do último boletim Focus, as projeções dos economistas para o IPCA se afastaram em relação à meta, inclusive para prazos mais longos. Para este ano, a estimativa atingiu 5,3%. A projeção de inflação para 2027 chegou a 4,10% e, para 2028, subiu a 3,68%.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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