Blast

Papa Leão 14 diz que história condenará líderes que ignoram mortes de migrantes

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Papa Leão 14 apelou aos líderes mundiais na quinta-feira (11) para que tratem os migrantes com mais humanidade, alertando, durante uma visita às Ilhas Canárias, na Espanha -um dos principais pontos de migração da Europa-, que a história condenaria aqueles que permitissem que pessoas fugindo da guerra ou da pobreza sofressem.

No que chamou de “apelo à consciência” dos políticos da Europa e da comunidade internacional, o primeiro papa americano afirmou que “a dignidade humana não tem passaporte e não perde seu valor ao cruzar uma fronteira”.

“Não podemos nos acostumar a contar os mortos”, disse o papa no porto de Arguineguín, apelidado de Cais da Vergonha por organizações humanitárias depois que cerca de mil migrantes ficaram retidos em condições precárias no local nos primeiros meses da pandemia do coronavírus.

“Que a história não nos acuse de transformar a dor daqueles que sofrem em uma visão comum ao longo de nossas costas”, exortou ele às milhares de pessoas reunidas perto de um memorial aos migrantes perdidos no mar. “Mais cedo ou mais tarde, saberemos se protegemos a vida ou se cedemos à indiferença.”

O papa está visitando o arquipélago ao largo da costa ocidental da África, como ponto central de uma viagem de uma semana pela Espanha. As ilhas são destino de migrantes que empenham-se em uma travessia mortal pelas águas do Atlântico, muitas vezes em pequenas embarcações improvisadas e superlotadas.

Localizadas a mais de 1.000 km da Espanha continental, as Ilhas Canárias receberam um número recorde de 46.843 migrantes em situação irregular em 2024, em comparação com menos de 1.000 em 2015, segundo dados oficiais. Mais de 3.000 pessoas morreram em 2025 tentando chegar às ilhas, de acordo com a ONG Caminando Fronteras.

O papa reafirmou seu apoio aos migrantes na sexta-feira (12), dizendo que “todos nós somos migrantes”, e os exortou a fazerem sua parte para se integrarem, no último dia de sua visita às ilhas.

Chamando a integração de “jornada recíproca”, ele incentivou os recém-chegados a aprenderem a língua do país anfitrião, “a respeitar suas leis, a conhecer seus costumes, a participar da vida comunitária”, durante um encontro com organizações que trabalham com migrantes.

Leão 14 também alertou que os migrantes enfrentam um “naufrágio silencioso” após a chegada, “deixados sozinhos em uma cidade, sem voz, sem laços, sem trabalho ou senso de segurança, e expostos àqueles que se aproveitam de sua vulnerabilidade”.

O líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo encerra sua viagem com um apelo por mais ajuda aos migrantes e por medidas contra os traficantes, em um momento em que a imigração continua sendo um tema polêmico no debate político.

Ele instou “aqueles que organizam rotas da morte e traficam seres humanos” a “pararem e se arrependerem”, elevando a voz para dar ênfase enquanto a multidão aplaudia.

Espera-se que o papa celebre uma missa ao ar livre ainda nesta sexta (12) no porto de Santa Cruz de Tenerife, diante de dezenas de milhares de pessoas.

Leia Também: Princesa da Tailândia morre após quase quatro anos internada em coma

Fonte: Notícias ao Minuto

10 Visitas totales
6 Visitantes únicos

Publicar comentário