Ao responder perguntas de sua defesa, o réu afirmou que a prática ocorria em tom de brincadeira e era conhecida pela mãe da criança e por familiares. “Eu já brinquei de dar banda no Henry, sim”, disse Jairinho.
Questionado sobre como acontecia a brincadeira, respondeu: “Você segura a criança e passa a perna por baixo. A mãe, o pai da Monique e a Monique já viram eu brincando com o Henry dessa maneira. (…) Não era escondido.”
A declaração foi dada no nono dia do julgamento e ocorre após uma série de testemunhas relatarem episódios em que Henry teria mencionado ter levado “bandas” e “mocas” do então padrasto. Apesar da admissão, Jairinho sustentou que jamais praticou agressões contra a criança e negou as acusações apresentadas pelo Ministério Público.
O ex-vereador optou por responder apenas às perguntas de seus advogados e não foi questionado pela acusação. Monique Medeiros, mãe de Henry e também ré no processo, não permaneceu no plenário durante o interrogatório.
“A coisa que eu mais queria no mundo era que o Henry estivesse aqui com a gente. Queria que ele voltasse. (…) Como que eu vou fazer isso com ele? Que loucura”, afirmou, chorando.
Ao longo da oitiva, Jairinho também contestou os relatos de violência apresentados por ex-companheiras durante o julgamento. “Tudo que começaram a falar de mim é especulação”, afirmou.
Questionado sobre os depoimentos de Natasha Machado e Débora Mello Saraiva, que atribuíram a ele agressões contra seus filhos, o ex-vereador negou os relatos.
“Não tem nem da parte dela, da Natasha, ou da Monique relato de que eu tenha dado sequer um peteleco nelas”, disse.
Em um dos momentos mais enfáticos de seu depoimento, Jairinho negou ter torturado ou agredido Henry e afirmou estar sendo acusado injustamente há cinco anos.
“Eu estou indignado com esse negócio de tortura de criança. É uma coisa que não é possível de acontecer. Eu não fiz isso, eu não fiz isso com Henry. A Monique sabe que eu não fiz isso com Henry. O pai dele sabe que eu não fiz isso com Henry. Eu tô há cinco anos respondendo por algo que eu não fiz. Minha vida foi destruída por uma coisa que foi criada”, afirmou.
“A coisa que eu mais queria no mundo era que o Henry estivesse aqui com a gente. Queria que ele voltasse. (…) Como que eu vou fazer isso com ele? Que loucura”, afirmou, chorando.
A defesa dedicou parte do interrogatório à vida pessoal e familiar do réu. Jairinho falou sobre a infância, a formação em medicina, a relação com os pais e os filhos e afirmou que se arrepende de ter ingressado na política.
“Se eu pudesse voltar atrás, teria ficado só na medicina e deixado a política para trás. Eu me desencantei”, disse.
Logo no início do depoimento, ele se emocionou ao falar do filho mais velho, Luiz Fernando Abdul Figueiredo Santos, que integra sua equipe de defesa. Segundo Jairinho, o jovem antecipou disciplinas da faculdade para concluir o curso de Direito e poder atuar no caso. Ao mencionar o esforço do filho, teve a voz embargada diante dos jurados.
O ex-vereador também comentou um boletim de ocorrência registrado por Ana Carolina, mãe de dois de seus filhos, após uma discussão motivada pela descoberta de uma traição. Segundo ele, houve uma discussão intensa, mas não agressões físicas.
“Um dos grandes arrependimentos da minha vida foi não permanecer casado com a Ana Carolina”, afirmou.
Jairinho disse ainda que a ex-companheira retirou posteriormente a queixa e que os dois permaneceram juntos por vários anos após o episódio.
Em um apelo direto aos jurados, o réu afirmou que espera uma decisão baseada exclusivamente nas provas produzidas durante o julgamento.
“Eu tenho certeza absoluta que foram dias demorados. Eu não aguento mais. Eu quero que vocês decidam. Tenho certeza que vocês estão se surpreendendo tendo acesso a coisas que ainda não tinham acesso. Tem provas que mudam completamente o processo. Deus vai abençoar e vai colocar a gente no caminho certo, que é o caminho da verdade”, afirmou.
Jairinho é acusado de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Segundo a denúncia, Henry morreu na madrugada de 8 de março de 2021 em decorrência de agressões sofridas no apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio.
O interrogatório do ex-vereador encerrou a fase de instrução do julgamento.
Nesta quarta-feira (3), acusação e defesa iniciam os debates finais perante o Conselho de Sentença.
Como há dois réus, o tempo destinado às sustentações orais é ampliado. Após as manifestações das partes, poderá haver réplica da acusação e tréplica das defesas. Em seguida, os sete jurados responderão aos quesitos formulados pela Justiça sobre autoria, materialidade e qualificadoras dos crimes atribuídos a Jairinho e Monique.
A decisão será tomada por maioria dos votos. Ao final da votação, a juíza Elizabeth Machado Louro fará a leitura da sentença.






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