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Dólar e Bolsa caem com atenções voltadas a negociações no Oriente Médio

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em queda nesta segunda-feira (1º), com os investidores novamente atentos às movimentações diplomáticas e militares no Oriente Médio.

Novos ataques trocados entre Estados Unidos, Irã e Israel aumentam as preocupações entre o mercado sobre a viabilidade de uma resolução do conflito.

Às 12h02, a moeda norte-americana tinha perdas de 0,36%, cotada a R$ 5,026, na contramão do movimento no exterior. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, marcava ganhos de 0,4%, a 99,31 pontos.

Já a Bolsa recuava 1,02%, a 172.014 pontos, estendendo a desvalorização vista ao longo do último mês. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, acumulou queda de mais de 7% de maio, a maior perda mensal desde fevereiro de 2023.

As últimas 24 horas foram marcadas por ataques entre Teerã e Washington no Oriente Médio, apesar das tratativas para encerrar o conflito que já dura mais de três meses.

Os militares dos Estados Unidos informaram que atacaram centros de comando no sul do Irã durante o fim de semana. O Comando Central dos EUA, responsável pelas operações militares na região, afirmou em comunicado que a ação foi uma retaliação ao abate de um drone americano pelo Irã.

Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana declarou ter atacado uma base aérea utilizada pelos EUA, sem identificar qual instalação foi atingida. As defesas aéreas do Kuwait, onde está localizada uma importante base militar americana, interceptaram uma ofensiva de mísseis e drones enquanto sirenes soavam em todo o país, informou a agência estatal de notícias Kuna, sem fornecer mais detalhes.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, também declarou, nesta segunda-feira, que o regime considera as ações de Israel na região inseparáveis das ações dos EUA, reafirmando que qualquer acordo para encerrar o conflito deverá incluir a implementação da trégua no Líbano.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ordenou a retomada dos ataques aos subúrbios de Beirute, reduto do Hezbollah.

A volta das ofensivas militares inspira preocupações entre os investidores, que anseiam por uma trégua definitiva no conflito e a normalização das cadeias de suprimento globais, fortemente afetadas pelos entraves no tráfego pelo Estreito de Hormuz -via responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo.

Até então, a percepção do mercado era de que, embora as versões do Irã e dos Estados Unidos sobre as negociações fossem contraditórias, os esforços diplomáticos estavam ocorrendo. Os ataques de Israel ao Líbano colocaram as tratativas em suspenso.

Segundo a agência iraniana Tasnim, a equipe de negociação do Irã está interrompendo as trocas de mensagens com os EUA por meio de mediadores devido aos ataques em Beirute. Conforme a agência, não haverá negociações até que as operações de Israel no Líbano cessem.

Após a notícia, os rendimentos dos Treasuries -títulos de renda fixa dos EUA tidos como porto-seguro nos mercados globais- ganharam força, renovando máximas do dia, e o petróleo Brent se reaproximou dos US$ 97 o barril.

Nos mercados de moedas, o dólar ganhou força ante boa parte das divisas. “As principais moedas do grupo G10 continuam sendo negociadas dentro de faixas muito estreitas, já que os investidores demonstram sinais de fadiga em relação às negociações, enquanto aguardam garantias de que o conflito não voltará a se intensificar”, diz Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury.

“No geral, a resiliência do dólar diante da redução dos prêmios de risco e da melhora do sentimento dos investidores é notável.”

Aqui, o movimento de queda da moeda norte-americana reflete o distanciamento geográfico do Brasil em relação ao conflito, a pauta exportadora fortemente puxada pelo mercado petroleiro e o diferencial de juros em relação aos EUA, atrativo para operações do tipo “carry trade”.

Nelas, os operadores tomam empréstimos em economias de taxas baixas, como a americana, e aplicam em países de taxas altas, como o Brasil, para rentabilizar sobre a diferença de juros.

No noticiário doméstico, o mercado ainda acompanha a decisão dos EUA de classificar o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, em medida que passará a valer a partir de 5 de junho.
Ainda não estão claras as consequências diretas sobre o Brasil, mas há a percepção de risco econômico -sobretudo em relação às operações de instituições financeiras, que podem ser enquadradas pela lei americana por vínculo, mesmo que indireto, com as facções.

Agentes ainda se dividem sobre os possíveis efeitos para o mercado. “Existem alguns grandes fundos de pensão que têm critérios ESG que excluem automaticamente qualquer país com instabilidade. Isso pode, sim, afetar diretamente países que têm organizações classificadas como terroristas, e um fluxo estrangeiro relevante pode deixar de vir para cá ou sair daqui pontualmente por conta disso”, afirma Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad .

Por outro lado, há quem veja o crime organizado na mira dos EUA como uma notícia de tiro curto, isto é, que traz volatilidade em um primeiro momento, mas que, no futuro, não tem tanta relevância.

“Macroeconomicamente falando, o mercado não está tão preocupado. O tema é mais político do que econômico e traz, sim, alguma volatilidade no curto prazo. Mas acredito que, ao longo do tempo, será um ‘não-evento’ para o mercado”, diz Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos.

Para a Bolsa, o foco do mercado, segundo Rodrigo Moliterno, sócio da Veedha Investimentos, ainda está na reversão da tendência do início do ano. “O estrangeiro está voltando para empresas de tecnologia e saindo do Brasil, e é isso que tem ditado mais o movimento da Bolsa. Juros altos e fiscal também afetam a atratividade”, afirma.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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