(UOL/FOLHAPRESS) – A Justiça Federal concedeu habeas corpus e mandou soltar o MC Ryan SP, preso na Operação Narco Fluxo, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado a casas de apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. A informação foi confirmada pelo UOL.
Justiça, porém, determinou a aplicação de medidas cautelares aos MCs, que estavam presos preventivamente. A reportagem apurou que a decisão do tribunal federal também beneficiou outro preso na operação, Diogo Santos de Almeida.
Apesar da soltura, os cantores e Diogo terão que cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre elas, informar à Justiça o endereço onde podem ser encontrados e comunicar qualquer mudança. Eles também deverão comparecer a todos os atos do processo, não poderão deixar a cidade onde moram por mais de cinco dias sem autorização judicial e terão de se apresentar mensalmente em juízo para comprovar suas atividades.
Cantores e Diogo também estão proibidos de deixar o país sem autorização da Justiça. O trio deverá entregar os seus passaportes, caso possuam o documento.
Tribunal federal considerou que ainda não havia denúncia formal apresentada pelo MPF (Ministério Público Federal) contra os investigados. A Justiça entendeu que houve excesso de prazo na prisão preventiva e que faltavam elementos concretos para justificar a manutenção da prisão.
Fernando Henrique Cardoso, advogado do MC Poze do Rodo, comemorou a decisão. ”Nosso pedido de extensão foi aceito. Esperamos em breve poder retirar nosso cliente, Marlon Brendon, deste aprisionamento desnecessário e ilegal.”
Anteontem, Henrique Viana, conhecido como “Rato Love Funk”, também foi solto após decisão da Justiça. A defesa de “Rato”, conduzida pelo criminalista Aury Lopes Jr., afirmou em nota que a “prisão se mostrava totalmente arbitrária e desnecessária”, e que “reafirma sua inocência”.
Ryan estava preso na Penitenciária 2 de Mirandópolis, no interior de São Paulo. Ele foi transferido para a unidade em 30 de abril.
Líder e beneficiário do esquema
MC Ryan é apontado pela PF como líder e beneficiário econômico do esquema. Segundo a apuração, Ryan usava empresas de produção musical e entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.
Para blindar seu patrimônio, o MC transferiu a participação em empresas para familiares e operadores financeiros. Para lavar dinheiro obtido de forma ilegal, ele comprava imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor, segundo a PF.
PF diz ter apreendido R$ 20 milhões em veículos
Operação bloqueou quantia bilionária e apreendeu veículos de luxo. A Justiça autorizou o bloqueio de cerca de R$ 1,6 bilhão. Além disso, aproximadamente R$ 20 milhões foram apreendidos “só em veículos”, afirmou o delegado Marcelo Maceiras. Ao todo, foram cumpridos 90 mandados judiciais, entre buscas e prisões, em oito estados e no Distrito Federal.
“PF segue o caminho do dinheiro”, diz delegado. Maceiras deu a declaração ao explicar que o trabalho começou ainda em 2023, com a apreensão de um veleiro com drogas.
Dinheiro do tráfico leva a facções, diz polícia. O delegado disse que, ao rastrear recursos do tráfico de drogas, a investigação chega inevitavelmente a organizações criminosas. Ele evitou citar grupos específicos, mas afirmou que “parte do dinheiro” tem origem no tráfico.
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