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Cúpula do PT exclui polêmicas de encontro do partido para evitar desgaste de Lula na pré-campanha

(FOLHAPRESS) – A cúpula do PT decidiu retirar da pauta do encontro do partido, que será realizado neste fim de semana, temas polêmicos que poderiam ampliar o desgaste do presidente Lula às vésperas da campanha.

Pela proposta formalizada nesta quinta-feira (23) pelo presidente do PT, Edinho Silva, à direção petista, a pauta do congresso partidário será desmembrada, deixando para abril de 2027 pontos que podem dividir filiados, como seu estatuto partidário.

Nesta primeira etapa, o PT deverá se concentrar no debate sobre conjuntura e estratégia eleitoral, apresentando ainda propostas consensuais para inclusão no programa de governo do presidente -como a universalização da educação em tempo integral e o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso.

Na tarde desta quinta, após participar de uma reunião com Lula, Edinho fez um discurso ao partido no qual lembrou a importância das eleições de outubro e defendeu foco na tática para a corrida presidencial.

Mais uma vez, o dirigente petista descreveu o cenário como difícil. Segundo relatos, afirmou ainda que o discurso sobre combate à corrupção será central na pré-campanha, sendo necessário enfrentar a oposição.

Ao falar especificamente sobre o caso Banco Master, ele disse que é tarefa do partido repisar que a origem do problema está no governo Jair Bolsonaro e que o mérito das investigações é do governo Lula.

Ainda segundo integrantes do comando petista, pontos polêmicos, como a revisão do ajuste fiscal implementado pela equipe econômica, ficarão fora do manifesto que será divulgado pelo partido no domingo (26), data do encerramento do congresso.

Apesar disso, o partido poderá apresentar propostas como a redução da taxa de juros, reforma do Judiciário e reforma eleitoral.

A defesa da democracia e da soberania também foi apontada como um pilar da campanha. Entre as propostas elencadas por Edinho, está o debate sobre terras raras e transição energética.

Ao partido Edinho pregou ainda a ampliação do alcance do aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais, o que seria possível dentro de uma reforma tributária.

A adoção de tarifa zero para usuários de transporte público e da universalização do ensino compõem a pauta apresentada por Edinho após essa reunião com o presidente. Embora esteja prevista a participação de Lula no encerramento do congresso, o partido já foi informado sobre a hipótese de o presidente não participar em decorrência de procedimento médico a que será submetido nesta sexta-feira (24).

O evento tinha como objetivo discutir programa partidário e programa de governo, tática eleitoral e uma reforma estatutária do PT. A ideia, agora, é que o congresso partidário se torne um espaço principalmente para energizar e unir a militância.

Devem ser excluídas da programação discussões com potencial para causar fraturas dentro do próprio partido ou que exponham Lula a críticas.

As orientações foram repassadas por Edinho Silva a correligionários nesta quinta-feira. Edinho chegou atrasado à reunião porque havia sido chamado para uma conversa com Lula no Palácio do Planalto.

A cúpula do partido quer que os petistas defendam uma taxa de juros inferior a 10% ao ano em termos reais -ou seja, descontada a inflação-, mas mesmo esse trecho deve ficar fora dos debates e dos documentos que serão produzidos.

A reivindicação de um aumento nas metas de inflação, o que facilitaria uma baixa nos juros pelo Banco Central, também deve ser excluída das propostas.

As críticas do partido ao arcabouço fiscal instituído no governo Lula também deverão ser suprimidas. Tanto declarações sobre juros quanto sobre a política fiscal poderiam desgastar o presidente da República junto ao mercado financeiro.

Essas medidas tendem a causar atritos dentro do PT. O grupo político de Lula é dominante no partido, mas há diversas correntes da legenda que tentam levar tanto o partido quanto o governo mais à esquerda.

Na sua conversa com a cúpula do PT, Edinho afirmou que o partido deve disputar junto à opinião pública o debate do combate à corrupção. A avaliação é que a legenda pode ganhar terreno nesse tema graças ao caso do Banco Master, que até o momento atingiu principalmente adversários políticos do partido.

A ideia, porém, é considerada arriscada por petistas. O partido ficou estigmatizado depois de casos como o mensalão e a Lava Jato. Há o receio de que discussões públicas sobre corrupção prejudiquem a legenda e seus filiados, como Lula, junto à opinião pública.

O presidente aparece nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Procedimentos serão realizados no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, sem necessidade de internação; presidente também tratará tendinite no punho e mantém agenda recente com eventos ligados à agricultura e ao Dia Mundial do Livro.

Agência Brasil | 04:15 – 24/04/2026

Fonte: Notícias ao Minuto

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