Dias de onda de calor podem agravar apneia do sono, aponta pesquisa
(Gabriela Cupani) Noites excessivamente quentes, típicas dos períodos de extremos climáticos conhecidos como “ondas de calor”, podem aumentar a frequência de apneia obstrutiva do sono. Essa é a conclusão de um estudo da Universidade Flinders, na Austrália, publicado no periódico European Respiratory Journal
Para cada grau de aumento na temperatura, a prevalência da apneia cresce 1,12%, de acordo com a pesquisa. Diante de um cenário de elevação mundial de temperaturas e episódios de extremos climáticos cada vez mais frequentes, isso pode aumentar a carga global da doença, trazendo impactos individuais e econômicos, diz a publicação.
“Sabíamos que fatores ambientais influenciam o sono, como temperatura do ambiente, poluição e sazonalidade, mas a relação direta entre ondas de calor e piora objetiva dos índices de apneia é um dado mais recente”, analisa a neurologista Letícia Soster, do Einstein Hospital Israelita. “O estudo traz um alerta importante ao sugerir que extremos climáticos podem impactar diretamente a fisiopatologia da apneia obstrutiva do sono, e não apenas a qualidade subjetiva do sono.”
Os pesquisadores analisaram dados de 67.558 adultos de 17 países europeus, coletados durante os meses de verão entre 2020 e 2024. Os episódios de apneia foram avaliados por meio de um sensor de sono no colchão. Já as informações sobre o clima foram obtidas pelo ERA5, um conjunto de dados que faz análise climática. As ondas de calor foram definidas como períodos de pelo menos três noites consecutivas em que a temperatura média excedeu as máximas históricas para aquele mês.
Alguns mecanismos podem explicar essa associação. Como o sono depende de uma queda fisiológica da temperatura corporal, pode haver uma desregulação térmica. “Ambientes muito quentes dificultam essa dissipação de calor, fragmentam o sono e aumentam despertares”, explica Soster. Essa fragmentação prejudica a respiração e pode favorecer eventos como a apneia. Também pode haver uma resposta inflamatória e cardiovascular ao estresse térmico.
Daí por que pacientes com doença moderada a grave, idosos e aqueles com comorbidades cardiovasculares podem ser mais vulneráveis durante ondas de calor. Os achados podem reforçar orientações práticas, como manter o quarto em temperatura adequada para dormir e garantir o uso regular do CPAP quando indicado. Esse dispositivo — cuja sigla significa Continuous Positive Airway Pressure, em inglês, ou Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas — fornece pressão nas vias respiratórias para evitar pausas durante o sono.
“Esse estudo amplia a discussão, mostrando que o aquecimento global não impacta apenas doenças infecciosas ou cardiovasculares, mas também distúrbios do sono que, por sua vez, têm repercussões metabólicas e cardiovasculares relevantes”, avalia a neurologista do Einstein.
No entanto, por se tratar de um trabalho observacional, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito. Além disso, fatores como uso de ar-condicionado, ventilação domiciliar, adesão ao CPAP ou presença de comorbidades não foram avaliados e poderiam alterar os resultados. “Mais do que uma conclusão definitiva, é um alerta consistente dentro do contexto das mudanças climáticas”, observa Letícia Soster.
A desinformação começa pelo fato de que um eventual problema no órgão sexual não se restringe ao tamanho. “Micropênis é um diagnóstico médico objetivo, não uma impressão visual”, explica o urologista Leonardo Borges, do Einstein Hospital Israelita
Fernanda Bassette – Agência Einsten | 10:15 – 27/03/2026






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