PF faz operação contra sócios da Fictor e menciona fraudes superiores a R$ 500 mi

(FOLHAPRESS) – A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (25), uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal. Entre os alvos, estão sócios da Fictor, empresa que anunciou uma tentativa de compra do Banco Master, em novembro, na véspera do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ser preso pela primeira vez, de acordo com pessoas com conhecimento sobre a investigação.

O rombo para o banco público, objeto da atual operação, pode superar a cifra de R$ 500 milhões, segundo comunicado da PF. A autoridade policial ainda cita os crimes de estelionato e lavagem de dinheiro.

A Fictor não foi localizada pela reportagem até a publicação desta reportagem. A agência de comunicação que atendia o grupo foi dispensada no início de fevereiro, quando o grupo entrou em recuperação judicial declarando dívidas acima de R$ 4,2 bilhões.

A empresa atuava em um modelo de captação de recursos a partir da emissão de contratos de SCP (Sociedade em Conta Participação), uma espécie de ação em sociedade oculta com menor regulação. Após o escândalo do Master, houve uma corrida para recuperar investimentos na Fictor. Com a recuperação judicial, os credores quirografários são os últimos na fila para receber seus débitos.

A situação é agravada pela operação envolvendo a empresa, chamada Fallax. Agentes estão cumprindo 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia.

A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, de veículos e de ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, com o objetivo de descapitalizar a organização criminosa.

Foram ainda autorizadas medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas.

A PF investiga a atuação da organização criminosa desde 2024, quando identificou indícios de um esquema estruturado para a obtenção de vantagens ilícitas. “O grupo criminoso atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas, inclusive vinculadas a grupo econômico específico, para a movimentação de valores e para a ocultação de recursos ilícitos”, diz o comunicado.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, de estelionato qualificado, de lavagem de dinheiro, de gestão fraudulenta, de corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional. As penas desses crimes podem ultrapassar 50 anos de reclusão.

Os pais de Vorcaro chegaram à Superintendência da PF na manhã desta terça-feira (24), acompanhados de advogados; banqueiro inicialmente foi alocado na carceragem comum da PF, mas ontem foi transferido para uma sala de Estado-Maior

Estadao Conteudo | 17:48 – 24/03/2026

Fonte: Notícias ao Minuto

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