O Governo de São Paulo inicia nesta sexta-feira (23) a aplicação da vacina Butantan-DV, imunizante 100% brasileiro desenvolvido pelo Instituto Butantan, que protege contra os quatro sorotipos da dengue. A vacinação será realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e contempla profissionais de saúde de 29 municípios da região de Botucatu. A medida antecipa a estratégia de vacinação que estava prevista para o dia 9 de fevereiro.
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A ação da Secretaria de Estado da Saúde (SES) tem como objetivo ampliar a proteção dos trabalhadores que atuam na linha de frente da Atenção Primária à Saúde, contribuindo para a redução do risco de transmissão da doença nos territórios, e foi definida em reunião entre a SES, o Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems) e o Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Ao todo, 3.505 profissionais serão vacinados nesta etapa, incluindo agentes de combate às endemias, agentes comunitários de saúde e demais profissionais da Atenção Primária à Saúde.
Serão contemplados profissionais dos municípios de Águas de Santa Bárbara, Anhembi, Arandu, Areiópolis, Avaré, Barão de Antonina, Bofete, Botucatu, Cerqueira César, Conchas, Coronel Macedo, Fartura, Iaras, Itaí, Itaporanga, Itatinga, Laranjal Paulista, Manduri, Paranapanema, Pardinho, Pereiras, Piraju, Porangaba, Pratânia, São Manuel, Sarutaiá, Taguaí, Taquarituba, Tejupá e Torre de Pedra.
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Início da vacinação
No último domingo (18), o secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, acompanhou a mobilização realizada no município de Botucatu para imunizar a população de 15 a 59 anos contra a dengue, em uma ação de vacinação em massa. Até o momento, mais de 27 mil doses foram aplicadas na cidade de Botucatu. A imunização no município segue em andamento porque Botucatu foi um dos três selecionados em todo o país para a aplicação antecipada e ampliada do imunizante, com estratégia voltada à redução e possível interrupção da circulação do vírus no território.
Ensaios e resultados
A aprovação da vacina é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3, encaminhados à Anvisa. De acordo com o estudo, no público de 12 a 59 anos, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue. O estudo, conduzido entre 2016 e 2024, avaliou a Butantan-DV em mais de 16 mil voluntários residentes de 14 estados brasileiros. Resultados anteriores do acompanhamento de dois e 3,7 anos foram publicados no The New England Journal of Medicine e na The Lancet Infectious Diseases, respectivamente.
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Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno. A maioria das reações foi leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, (exantema (manchas vermelhas) no corpo, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram raros e todas as pessoas se recuperaram.
A vacina da dengue do Instituto Butantan é a primeira que pode ser aplicada em apenas uma dose no mundo, o que tem potencial de facilitar a adesão do público e a logística da estratégia. Os benefícios da dose única foram descritos em um relatório publicado por pesquisadores do Reino Unido na Human Vaccines & Immunotherapeutics, em 2018. O estudo apontou que programas de imunização com menos doses estão associados a uma melhor cobertura vacinal e enfrentamento da doença.
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Outros públicos
O Instituto Butantan pretende ampliar a faixa etária de vacinação tanto para o público pediátrico quanto para aqueles acima de 60 anos. Para isso, já recebeu aprovação da Anvisa para avaliar a vacina da dengue na população de 60 a 79 anos. Se os resultados da pesquisa forem satisfatórios, será possível solicitar à agência reguladora a inclusão desse grupo nas recomendações do imunizante. Além disso, mais dados deverão ser coletados para avaliar a possível inclusão das crianças de 2 a 11 anos nas recomendações da vacina. Os estudos clínicos realizados já comprovaram que a vacina é segura nesta faixa etária.
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