Herói ou vilão? Especialista explica efeitos do chocolate para a saúde

Com a chegada da Páscoa, o consumo de chocolate aumenta significativamente e isso traz muitas dúvidas entre as pessoas. Será que o doce é prejudicial à saúde?

Segundo Dr. Rennan Bertoldi, médico Nutrólogo, PhD em Cardiologia e professor da UniSul/Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, o chocolate não é um vilão, mas também não é um alimento inocente. “A parte positiva vem do cacau, que possui substâncias que podem trazer benefícios ao organismo. Já a parte menos favorável está na quantidade de açúcar e gordura presente na maioria dos chocolates que consumimos no dia a dia”. Em resumo: o problema não é o chocolate em si, mas o excesso e a qualidade do produto.

O médico respondeu algumas perguntas sobre o tema. Confira:

Quais os benefícios do chocolate para a saúde?

R: Quando falamos de chocolates com maior teor de cacau, eles podem contribuir para a saúde do coração, ajudar na circulação e ter ação antioxidante, auxiliando em processos inflamatórios no organismo. Existe também uma possível melhora da sensibilidade à insulina e efeitos discretos no colesterol. Além disso, alguns estudos sugerem impacto positivo na função cerebral e até na cognição, principalmente quando consumido com moderação.

Quais componentes promovem estes benefícios?

R: Os benefícios vêm principalmente de substâncias naturais do cacau chamadas flavonoides. São compostos que ajudam na circulação, têm ação antioxidante e participam de processos importantes no organismo. Além disso, o cacau possui pequenas quantidades de cafeína, teobromina e minerais como magnésio, que também contribuem para esses efeitos. Mas é importante lembrar: junto com isso, o chocolate também pode trazer açúcar e gordura saturada, que, em excesso, têm efeitos negativos na saúde

A sensação de prazer ao comer chocolate é uma questão psicológica ou tem relação com alguma substância?

R: É uma combinação das duas coisas. Existe um componente emocional (hedônico), já que muitas pessoas associam o chocolate a momentos de prazer, conforto ou recompensa. Mas também há um efeito biológico real. O chocolate estimula a liberação de substâncias no cérebro ligadas ao prazer, como dopamina e serotonina. Além disso, a mistura de açúcar e gordura torna o alimento muito palatável, o que intensifica essa sensação e faz com que a gente queira repetir a experiência.

Chocolate traz benefícios também para a saúde mental? Explique

R: Pode trazer sim, mas de forma limitada. Os compostos do cacau podem melhorar o fluxo sanguíneo cerebral e influenciar positivamente o humor. Algumas pessoas relatam sensação de bem-estar após consumir chocolate, e isso tem respaldo tanto biológico quanto comportamental. O chocolate também é rico no aminoácido triptofano, precursor do neurotransmissor serotonina, o que pode facilitar a sua síntese e, gerar, em médio a longo prazo, auxílio no tratamento de problemas psíquicos e cognitivos. Mas é importante ter clareza: o chocolate não trata ansiedade, depressão ou qualquer transtorno mental. Ele pode contribuir, mas não substitui cuidados adequados com a saúde mental.

O consumo em excesso pode ser prejudicial? Explique

R: Sim, e esse é o principal ponto de atenção. O excesso de chocolate, especialmente os mais ricos em açúcar refinado, pode levar ao ganho de peso, aumento do açúcar no sangue, alterações no colesterol e maior risco de doenças metabólicas ao longo do tempo. O problema não está no consumo eventual, mas na frequência e na quantidade. Pequenos excessos repetidos ao longo dos dias acabam se acumulando.

O chocolate branco também é benéfico?

R: Não da mesma forma. O chocolate branco não possui cacau na composição, que traz benefícios. Ele é feito basicamente de manteiga de cacau, açúcar e leite. Ou seja, é mais calórico e não tem os compostos que fazem o chocolate amargo ser interessante para a saúde.

Qual o melhor tipo de chocolate para a saúde?

R: De forma geral, quanto maior o teor de cacau, melhor. Chocolates mais amargos costumam ter menos açúcar refinado e mais das substâncias benéficas. Mas isso não significa que todos precisam consumir apenas chocolate amargo. O mais importante é o equilíbrio dentro do contexto da alimentação como um todo.

Qual a média ideal para consumo?

R: Não existe um número exato que sirva para todo mundo, mas pequenas quantidades diárias (cerca 30 gramas), quando inseridas em uma alimentação equilibrada, são sugeridas e podem ser benéficas. A ideia não é proibir, mas também não transformar o chocolate em algo frequente em grandes quantidades

Chocolate pode viciar?

R: Ele não causa dependência química como drogas, mas pode sim gerar um comportamento de repetição. Isso acontece porque ele ativa áreas do cérebro relacionadas ao prazer. Com o tempo, algumas pessoas passam a buscar o chocolate como uma forma de recompensa ou conforto, o que pode criar uma relação mais compulsiva com o alimento.

É indicado trocar o chocolate normal por uma versão fit?

R: Trocar um chocolate que você gosta por um “chocolate fit” nesse momento não faz sentido. Inclusive, é importante ter cuidado: muitos desses produtos têm menos açúcar, mas mais gordura saturada, podendo ser até mais calóricos que os chocolates tradicionais.

Para finalizar, Dr Rennan destaca um ponto importante. Segundo o médico, não há problema nenhum em comer chocolate na Páscoa, pois a data não é sobre o chocolate em si. “A Páscoa envolve momentos em família, encontros, cultura e memória afetiva. E isso também faz parte de uma vida saudável. Um dia isolado não define sua saúde. O que realmente importa é o que você faz na maior parte do tempo. Na Páscoa, aproveite o chocolate, o momento e as pessoas ao seu redor”.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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