(FOLHAPRESS) – O empresário Sérgio Nahas, 61, condenado pela morte da esposa, Fernanda Orfali, há 23 anos, foi preso em Salvador. A detenção ocorreu no sábado (17), na Praia do Forte, no município de Mata de São João, após ele ser identificado por câmeras de monitoramento, segundo a Polícia Militar da Bahia.
De acordo com a polícia, Nahas estava na região turística quando foi localizado. Após passar por audiência de custódia, o empresário foi encaminhado ao sistema prisional.
Em 20 de maio de 2025, atendendo a um pedido do Ministério Público de São Paulo, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu aumentar a pena do empresário para oito anos e dois meses de prisão em regime fechado. A condenação se refere à morte da mulher, ocorrida em 14 de setembro de 2002, dentro do apartamento do casal, no bairro de Higienópolis, em São Paulo.
Em 2018, Nahas havia sido condenado a sete anos de prisão em regime semiaberto pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Na ocasião, ele recorreu da sentença ao STF e aguardava o julgamento em liberdade. A análise do caso ocorreu recentemente em sessões virtuais.
À época, a advogada do empresário, Adriana Machado e Abreu, informou que entraria com os recursos cabíveis para evitar o cumprimento da pena, alegando que se tratava de uma condenação injusta.
À polícia, Nahas afirmou que, no dia do crime, havia discutido com Fernanda. Segundo ele, a mulher teria se trancado em um armário com uma arma e efetuado dois disparos contra a porta. Ao arrombar o local, ainda de acordo com sua versão, ela teria se suicidado.
O promotor Roberto Tardelli, responsável pelo caso à época, afirmou que testemunhas relataram que o barulho do arrombamento ocorreu antes dos tiros. Além disso, o laudo pericial indicou que o disparo fatal foi feito a uma distância superior a 50 centímetros.
A perícia também não encontrou vestígios de pólvora nas mãos da vítima. A defesa, no entanto, sustentou que a arma utilizada não deixaria resíduos nas mãos, apenas na roupa.
O Ministério Público denunciou Nahas por homicídio duplamente qualificado. Ele chegou a ficar preso por 37 dias por porte ilegal de arma, mas foi solto por decisão judicial.
O inquérito policial apontou que a motivação do crime estaria ligada à descoberta, por parte de Fernanda, de um relacionamento extraconjugal do empresário, além do uso de drogas por ele. À época da morte, as malas da vítima estavam prontas e ela buscava um novo emprego.
O julgamento de Sérgio Nahas foi adiado diversas vezes. Em março de 2018, o ministro Celso de Mello, do STF, suspendeu uma sessão do júri popular após a defesa alegar que um recurso do Ministério Público havia sido apresentado fora do prazo legal.
Posteriormente, em 2024, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça negou um habeas corpus apresentado pela defesa, por entender que o pedido repetia argumentos já analisados.
No julgamento final no STF, a Segunda Turma, formada pelos ministros Dias Toffoli, Edson Fachin, Gilmar Mendes, Nunes Marques e André Mendonça, decidiu de forma unânime negar o agravo regimental da defesa e manter a condenação, com o aumento da pena para oito anos e dois meses de prisão.
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